06
Mar 14

 

Logo pela manhã

 

Logo pela manhã

Calcorreio certas ruas do meu bairro

Para esticar as pernas já mais que usadas

Paro no meu café

Sento-me na esplanada ao frio

Onde beberrico a minha bica

Condimentada com uma cigarrada

Olho em volta distraidamente

Recebo de quem passa os bons dias

De imediato retribuo

Com um sorriso e um acenar de mão

Pelo chão um bando de pardais

Luta pelos grãos de pão e bolos

Chilreando alegremente aos meus ouvidos

Entre eles seus chilrreios são admoestações

Pela posse dos poucos grãos restantes

Sorrio-me intimamente com tal cenário

Num repente perpassa-me pela memória

Certas cenas dos irmãos sovietes

Que também disputam entre si

Duas grandes migalhas de trerreno

Em vez de patriotas

Tornam-se algozes uns dos outros

Até que a lei da morte os vá separando

 

 Marcolino Duarte Osório

          - Peregrino -

          2014-03-06

 

 

publicado por Marcolino Duarte Osorio às 05:03
sinto-me: feliz!

05
Mar 14

 

Acordei

 

Acordei

Nesta bela madrugada

Sem saber o que fazer

Continuar a dormir

Era tarefa inglória

Para quem não tem sono algum

Levantei-me

Fui beber café com leite

Porque sentia fome

Entre o ir e não ir para a cama

Dei comigo por aqui a escrever

Minha cabeça comandava meus dedos

Que pousavam rápida e delicadamente

Pelo abecedário do teclado

Uma a uma as letras apareciam

Davam as suas boas vindas

Ao poeta sem sono

Letra a letra as palavras nasciam

Ditando corpo ao texto

Linha a linha agrupava-as

Saltava de linha para lhes dar vida

Pela mente surgia uma ideia

Que logo logo se instalava à minha frente

Que por ser pura

Era escrita numa folha digital

De branco vestida

Composta a ideia

Recomposto da insónia

Coloquei este texto na nete

Para que todos lessem nas entrelinhas

No que dá ocupar tempos livres

Com a liberdade de criar e escrever

 

 Marcolino Duarte Osório

          - Peregrino -

          2014-03-05

 

publicado por Marcolino Duarte Osorio às 03:47
sinto-me: de novo com sono...

24
Fev 14

 

Domingo já passou

 

Domingo já passou

Não é que não tenha dado por ele

Foi um domingo tranquilão

Sem abade missa e sermão

Praia e passeios pé ao ar livre

Ficarão lá mais para a frente

O mar está revolto demais

Com ondas de se lhe tirar o chapéu

Destruindo praias e rochedos

Ao ar livre as chuvas caem forte

Alagando onde o mar não chega

Fazendo desaparecer os verdes das planicies

Sob espesso manto de lama viscosa e castanha

O domingo já passou

Existiu apenas no calendário

Tudo o mais nem efeméride se tornou

Por isso nem dei que o domingo passou

 

 Marcolino Duarte Osório

          - Peregrino -

          2014-02-24

 

publicado por Marcolino Duarte Osorio às 02:51
sinto-me: a iniciar nova semana

23
Fev 14

 

São três da madrugada

 

São tres da madrugada

E o meu sono resolveu tirar férias

Já em jovem isto me acontecia

E resolvia a situação

Lendo algo que me entretenha

Um dia resolvi escrever

Mas dei comigo a poetar

Desrimado e sem pontuação

Achei desinteressante

Essa minha estranha forma de escrever

Tranquilamente segui em frente

Sem medos e certos nervos

Fui lendo todos os comentários

Criticando como escrevia

Mas nunca o conteudo

Foi então que tirei do bolso

Minha grande vontade de poetar

Não como os demais

Mas sim genuinamente como o sei fazer

Nunca me dei mal com o que escrevo

Muito menos com a forma como o faço

Escrever faz-me pensar

Naquilo que fui dedilhando neste teclado

Também vou aprendo comigo

De cada vez que me releio

 

 Marcolino Duarte Osório

          - Peregrino -

          2014-02-23

 

publicado por Marcolino Duarte Osorio às 03:35
sinto-me: sem sono...

21
Fev 14

 

Com o avançar da idade

 

Com o avançar da idade

Ano após ano meu corpo envelhece

Minha mende não o quer acompanhar

Percorrendo outras veredas

Quando penso

Não sinto o tal peso da idade

Que ao meu corpo vai retirando vivacidade

Para reagir e agir

Sonhar ainda o faço

Imaginar também

Mas quando consigo agarrar as pontas

De um dos novelos da minha imaginação

Fico inquieto

Dirijo-me ao computador

E dedilhando o teclado

Deixo sair de mim

Partes dos meus sonhos

Para que outros ocupem

Seus lugares deixados vagos

 

 Marcolino Duarte Osório

          - Peregrino -

          2014-02-21

publicado por Marcolino Duarte Osorio às 01:02
sinto-me:

16
Fev 14

 

Um adeus que me custou demais

 

Um adeus que me custou demais

Foi o que tive que dar

Lágrimas de saudade tive que conter

Por um velho amigo da minha idade

Nunca imaginei ter que o fazer

A um ser tão são e robusto

Porquê morrem

Aqueles de quem gostamos

Porquê morrem

Aqueles companheiros de longas jornadas

Que nos ajudaram e a quem ajudámos

Que nos escutaram e a quem escutámos

Que nos abraçaram e a quem abraçámos

Que comigo choraram

Pela partida de velhos amigos comuns

Um a um íamos vendo partir à nossa frente

Nunca desejando imaginar

Entre todas as velhas e sãs amizades

Qual de nós seria o próximo

Por cá fiquei vivendo um dia de cada vez

Sem amarras ao velho passado

Sem me amedrontar com o futuro que há-de vir

O futuro só a Deus assiste

O presente a mim assiste viver tranquilamente

De cada velha e longa amizade já partida

Dentro de mim guardo todas as recordações

Umas fazem com que me sorria

Outras dão-me que pensar

Um adeus que me custou demais

Foi o que tive que dar

A um velho amigo da minha idade

 

 Marcolino Duarte Osório

          - Peregrino -

          2014-02-16

publicado por Marcolino Duarte Osorio às 02:29
sinto-me: Adeus meu grande amigo...

09
Fev 14

Serei um barómetro

 

Serei um barómetro

Ou agirei como tal

De cada vez que o tempo alterna

Entre ensolarado e chuvoso

Entre o frio e o quente

Como estarei sempre abaixo das nuvens

Tanto me deprimo como me alegro

Quando o rei sol se esconde além nuvens

Meus lábios sempre juntos são um u invertido

Mas quando ele reaparece com o seu explendor

Meus lábios retornam à sua simpática forma

Entreabrindo-se docemente

Dando a conhecer a todos

Que tenho um sorriso tranquilo

Doce

E lindo

Serei um barómetro

Ou agirei como tal

Igualando-me a todos que me rodeiam

Sendo assim

Quero que haja sempre sol

Para que os que me rodeiam sorriam sempre

Para que as nossas vidas sejam alegres e sorridentes

Desde nenés até velhinhos…

 

 Marcolino Duarte Osório

         - Peregrino -

         2014-02-09

publicado por Marcolino Duarte Osorio às 15:26
sinto-me: sempre assim

05
Fev 14

Da aventura até à tragédia

 

Da aventura até à tragédia

A distancia

Será sempre de mãos dadas…

Refiro-me à tragédia

Numa das praias do Meco

Abomino

Que sejam criticados esses jovens

Que morreram

Pela distracção que os levou ao acidente

Se tivessem morrido na guerra

Em nome de uma qualquer santa cruzada

Seriam elogiados

Quiçá lembrados como heróis

Todos bateriam palmas…

Também já fui jovem

Já cá estão e bem guardados

Com o indevido e devido uso

Os meus setenta e dois anitos

Andei pelas guerras coloniais

Onde se morria à ordem do Estado

Nessa altura éramos todos heróis

Mesmo que caminhássemos

Deliberadamente

Para as Encruzilhadas da Morte

Respeitem os seus nomes

Como quão respeitados

Têm sido os nossos

Não os mencionem

Nem os critiquem

Em vão

 

 Marcolino Duarte Osório

          - Peregrino -

          2014-02-05

publicado por Marcolino Duarte Osorio às 03:01
sinto-me:

27
Ago 13

 

Ter Amigos…

 

Ter Amigos

É o horizonte que nos transcende

Da Força de cada um deles

Nossa Força sai reforçada

Com o sorriso de cada um deles

Nossa Alma mais se afirma

 De cada aperto de mãos deles

As nossas mais seguras se sentem

De cada abraço que eles nos dão

O nosso sorriso interior mais se abre

As suas palavras escritas e ditas

Têm a vida do ar que respiramos

O silêncio da profundidade dos seus olhares

É uma forte prova da sua grande Amizade

Ter Amigos…

 

Marcolino Duarte Osório

          - Peregrino -

          2013-08-27

publicado por Marcolino Duarte Osorio às 22:47
sinto-me: bem feliz...!

06
Abr 13

 

Enquanto escrevo…

 

Enquanto escrevo

Vou manipulando minha mente

Uma a uma

Vou recriando imagens diferentes

Da realidade da minha vida

De tudo aquilo que me cerca

Vou desanuviando

Dos defeitos dos demais

Do escárnio e do maldizer

Da falta de solidariedade

Da falta de afectos

Da falta de humanidade

Enquanto escrevo

É um alívio

Pior é quando regresso à realidade

 

Marcolino Duarte Osório

          - Peregrino -

          2013-04-06

publicado por Marcolino Duarte Osorio às 23:53
sinto-me: aliviado!
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