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Jan 12

 

Um Adeus a um Grande Padre, meu Grande Amigo…

 

Esta madrugada, dei comigo na internet, a entrar num motor de busca, procurando por Calmeiro Matias. Depressa encontrei o seu blogue. Vieram-me as lágrimas aos olhos mas, logo, logo, me acalmei, ao olhar a sua fotografia, com o seu doce, e terno sorriso.

 

Intuitivamente, recuei ao passado. A última vez que falei pessoalmente com ele, foi há cerca de 6 anos. Mantivemos durante muito tempo, contacto via e-mail. Sempre leu as minhas poetagens. Sempre que podia, dava-me o seu apoio, via e-mail, incentivando-me a prosseguir. Ainda trocamos saudações, pela Páscoa, e pelo Natal. Mas, o tempo, os afazeres, e a distância, fizeram esfumar, lentamente, a minha necessidade de lhe contar sobre mim, e de escutar seus sábios conselhos.

 

Conheci-o, por me ter sido indicado por alguém, seu Amigo, como Terapeuta de Casais. Telefonei-lhe. Dias depois estávamos, eu e a minha mulher, a consultá-lo no Centro Jovem de Tabor, situado nos arredores de Setúbal.

 

Apesar dos progressos que obtivemos, na nossa evolução pessoal, como casal, a firme decisão, da minha mulher, de se divorciar de mim, tomou ainda mais força. Resumindo: Foi a atitude mais certa e mais coerente, para ambos.

 

Se valeu a pena, ter conhecido o Pe. Santos, só ele, eu, e Deus o sabemos…

 

Querido Amigo, Pe. Santos, sei que estás em bom sítio. Sei que me podes ver todos os dias. Por favor, aceita este meu singelo texto, como agradecimento, do muito que fizeste por mim, humanizando-me!

 

Segue-se um texto transcrito do seu blogue:

 

«O Pe. Santos viu agravar-se muito repentinamente o seu estado de saúde. Depois de um problema oncológico que parecia já precisar apenas de alguma vigilância, depois de operado, aconteceu que silenciosamente o cancro foi criando metástases que se espalharam muito rapidamente. Assim, em apenas um mês a sua saúde debilitou-se até partir para o Pai na manhã do dia 17 de Julho.

 

O Pe. Santos, era natural de Freixial do Campo, Castelo Branco. Nasceu no dia 9 de Janeiro 1942, o mais velho de muitos irmãos. A sua primeira presença entre nós, invulgarmente, não foi como acólito nem como seminarista… Tinha 17 anos quando, como trabalhador de construção civil, ajudou a levantar a Igreja dos Redentoristas em Castelo Branco. Entrou depois na Congregação como Irmão. Ex-trabalhador da construção e apenas com a 4ª classe. Professou na Congregação no dia 15 de Agosto de 1961. Nestas condições, ninguém acreditava que ele pudesse ser Presbítero e quando ele começou a desejá-lo as dificuldades foram muitas… No entanto, conseguiu ir estudando e avançando os anos que faltavam, ao mesmo tempo que sempre desempenhou a sua missão como Irmão na Congregação. Foi irmão durante 7 anos, em Castelo Branco, Gaia e Guimarães.

 

Fez depois os estudos teológicos em Lisboa e uma especialização em Teologia Sistemática na Universidade de Estrasburgo… Quem diria?! Foi também nestes anos que recebeu formação em Psicoterapia, actividade que exerceu até ao fim, sempre convencido que este era um serviço imenso ao Evangelho de Jesus, Libertador do Ser Humano daquilo que o oprime e escraviza.

 

Ordenado no dia 1 de Agosto de 1974, dia de Santo Afonso, entendeu a sua missão enquanto Redentorista essencialmente como uma Proposta da Fé que gera contextos comunitários em que seja possível aprofundar o Mistério de Deus e do Homem. Um e outro encontram-se no inesgotável Mistério de Cristo. Assim, ao longo de mais de trinta anos, foram milhares de cursos, palestras, conferências, retiros, semanas de formação… De maneira muito especial, trabalhou activamente como professor nos CEF (Cursos de Educação da Fé), organizados pelos Redentoristas, que percorreram várias dioceses e formaram centenas de agentes pastorais.

 

Deu volta ao país inteiro, formou grupos e pequenas comunidades em inúmeros lugares, durante alguns anos foi professor convidado de teologia num seminário em Brasília onde leccionava um trimestre, em 1997, já na Comunidade do Porto, foi-lhe entregue a missão da Formação dos Estudantes de Teologia e, nestes últimos anos, já com uma actividade itinerante menos intensa, foi o responsável do Centro de Catequese Santo Afonso, na Rua Firmeza.

 

De destacar o seu lugar como pioneiro da Evangelização pela Internet em Portugal! Foi um dos primeiros Presbíteros em Portugal a entrar nesse novo areópago… Já em 2002 criou o seu primeiro site. Desde aí, não parou. Com a facilidade de trabalho que os blogs trouxeram nos últimos dois anos, aproveitou também esse meio. E foi, acima de tudo, esse, o testemunho que deixou: um zelo incansável pelo anúncio do Evangelho, um olhar atento às oportunidades e possibilidades de transmitir a Boa Notícia da Vida que nos vem de Cristo.

 

Esse testemunho não cessou durante este último mês, quase todo em internamento… Desde o princípio viveu tudo isto com uma enorme Paz, com uma Serenidade e uma Alegria que contagiavam os que o acompanhavam mais de perto e o pessoal de enfermagem que o cuidava. Até ao fim, numa manhã de Páscoa, em que também ele, serenamente, expirou e se Passou para o Pai…»

 

  M.Osorio

-Peregrino-

2012-01-13

publicado por Marcolino Duarte Osorio às 10:18
sinto-me: bem feliz por o ter conhecido!

Muito lamento a partida do seu grande amigo. Todos voaremos para o Pai quando Ele entender.
Aproveito para salientar o que relatou no seu post anterior quando refere que por vezes e embora dando notícias, não obtem as respostas desejadas.
Sabe Marcolino, eu também noto isso de algumas pessoas que espero notícias e por vezes levam imenso tempo a aparecer ou simplesmente não aparecem. O meu amigo é uma delas. Por vezes até penso se não estará a atravessar algum problema de saúde , mas depois lá encontro noutros blogues os seus comentários. Aí penso que tenho de compreender que os meus posts não lhe interessem grandemente, mas podem servir para nos irmos comunicando neste mundo de distância e que, como diz, por vezes de indiferença pelo próximo.
Receba um abraço com sinceridade
Teresa
Teresa a 14 de Janeiro de 2012 às 22:48

Olá Teresa,
Sabe, muitas das vezes vou ao seu blogue, mas encontro artigos incomentáveis, pela sua natureza tão óbvia. É apenas por este motivo que não deixo os meus comentários. Se me lê noutros nlogues, isto é, Fio de Prumo, Laurinda Alves, e Zilda Cardooso, é apenas pela sua natureza convidativa que comento, não todos os artigos postados, mas apenas alguns. Existem posts que me transcendem e, para não ser repetitivo, gosto de ser original, abstenho-me, por respeito aos autores, de emitir determinados comentários.
Quanto ao que escrevi no meu post anterior, apenas decifrei uma constatação, por palavras minhas, sem mencionar nomes de pessoas, de amizades, nem de familiares meus, referindo-me apenas às «amizades» do Facebook.
Por outro lado, se contar o número textos que tenho publicado, neste meu blogue, durante os mêses de Novembro, Dezembro, e Janeiro, verifica que existem hiatos entre as datas, o que nunca foi normal neste meu blogue. Antigamente colocava entre 1 a 2 textos, diáriamente. A origem desses hiatos vem da minha falta de saúde, quer da vista, quer de uma forte pneumonia, cujos efeitos colaterais ainda se sentem...
A Teresa tem o meu e-mail e, tal como outras amizades o fazem, pode escrever-me mais à vontade que, quando me for possivel, logo lhe responderei. É, para mim, muitissimo mais cómodo, além de não ter que mostrar a pessoas de espirito mórbido, que por aqui passam, diáriamente, temas que considero ser sobre a minha vida privada e, como tal, devem ser resguardados, colocando-os longe da voracidade dos «predadores» que abundam na internete.
Um abraço para si e votos de um ótimo domingo!
Marcolino
© M.Osorio a 15 de Janeiro de 2012 às 00:52

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