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Mar 12

 

O meu Avô Duarte…

 

O meu Avô Duarte

Foi um Avô que me encantou

Não porque brincasse comigo

Mas sim pela sua humanidade

Foi sempre um homem reservado

Desenhador e Topógrafo de profissão

Depois do trabalho quando chegava a casa

Ao final da tarde

Sentava-se num cómodo banco

Em frente ao seu cavalete

Onde dava largas à sua Arte

Pintando sobre telas

O Amor com via o Mundo em seu redor

Quando o visitava ao final das tardes angolanas

Entrava em silêncio para o saudar

Trocavamos nossos olhares de satisfação

Recebia dele como recompensa

Uma pincelada a óleo na ponta do meu narizito

Nunca perguntei o que estaria a pintar

Porque as suas pinceladas eram tão perfeitas

Que falavam aos meus cinco sentidos

Pintava a óleo

Pintava a Pastel

Pintava a Aguarela

Desenhava a Carvão

Cedo de mais enviuvou

Escolheu vir viver connosco para não se sentir tão só

Foi nessa altura que deixou de pintar

Porque a dona Celeste musa inspiradora

Da sua Vida se apartou

A tristeza apossou-se dele

Em vez de colorir telas

Passou a ler em silêncio no seu cantinho

Fumando cigarros sobre cigarros

Olhando da nossa varanda o mar em frente

Até à linha do horizonte

Onde os rubros do Sol Angolano o saudavam

Para que despertasse da sua letargia

Para que secasse as lágrimas da tristeza infinda

Que lhe corriam faces abaixo

À espera de partir para junto da sua amada

Depressa partiu para junto dela

Alguns netos e bisnetos dele herdaram

O Património invisível da sua Arte

A Arte de reproduzir com Amor

Tudo quanto os olhos consigam abarcar

É com orgulho temperado que nos recordamos dele

Porque apesar de ser de poucas falas

Suas Obras a Óleo Pastel Carvões e Aguarelas

Falarão connosco gerações infindas

 

© M. Osorio

 - Peregrino -

  2012-03-12

publicado por Marcolino Duarte Osorio às 12:25
sinto-me: com saudades de ti Avô Duarte!

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