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Out 12

 

Trovoadas de Outono…

 

Trovoadas de Outono

Acordaram-me de rompante

Sentei-me estremunhado

Olhei meio cego pelos clarões

Que mais pareciam flashes fotográficos

Ora os céus ficavam claros

Neles desenhando todos os contornos

Deste belíssimo bairro onde sempre vivi

Ora se quedavam escuros como breu

Fazendo-me arrepiar da cabeça aos pés

Quanto os coriscos interrompiam

Fazendo-me lembrar certo ribombar

Dos tambores das danças fantasmagóricas

A tempestade se aproxima

As gotas da chuva batem forte nas vidraças

Com aquele forte ruído das pedras de granizo

Não resisti

Sentei-me a dedilhar minhas impressões

Neste teclado digital

Recordando os tempos das trovoadas angolanas

Em que se rezava a Santa Bárbara

Para que fossem para bem longe

Onde não existisse pão e vinho sobre a mesa

Nem a flor de rosmaninho

Nem sem-abrigo

Nem pobres buscando pedaços de alimento

Nos caixotes do lixo das sobras dos ricos

Nem os excluídos sociais

Fui à minha janela

Deixei de rezar com medo

Que as chuvas deste outono

Deixassem de cair

Porque as plantas deste lado do mundo

Nada se pareciam com as da minha Angola

Lá fora chove copiosamente

Todos os trovões assustam as nuvens

Estamos dentro do rodopiar do outono

Há folhas a voar

Há vento a uivar

Há lágrimas a cântaros

 

Marcolino Duarte Osório

          - Peregrino -

          2012-10-25

publicado por Marcolino Duarte Osorio às 05:23
sinto-me: como o tempo está lá fora...

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