09
Fev 13

 

Com muita alegria…

 

Com muita alegria

Ainda recordo a minha juventude

Em casa dos meus tios avós

Férias de verão

Passadas tranquilamente

Numa pequena aldeia transmontana

Marmelal

O comboio ainda era vapor

Apeava-me perto do Peso da Régua

Cheirava a carvão queimado

As roupas transpiradas cobertas de fuligem

Davam-me aquele ar emporcalhado

De viajante vindo da cidade

Atravessava o Douro de barcaça

Montado num burrico subia a ingreme encosta

Até à velha casa de granito dos meus tios avós

De onde se via o rio Douro

Escutavam-se os silvos do apito do velho comboio

O calor era intensamente abrasador durante o dia

As noites eram mais mornas do que frescas

Pela madrugada o fresco pairava sobre a aldeia

Revigorando as vinhas de Vinho do Porto

Uma vez chegado lá cima

Metia-me no velho e grande tanque de regas

Onde me refrescava e recuperava energias

Pelas doze e trinta almoçava-mos ligeiro

Pelas dezanove jantava-mos a preceito

O serão era passado na fresca varanda

De onde saboreava-mos a linda vista sobre o Douro

Conversando sobre as gentes da aldeia

Perspectivando sobre a colheita das uvas

Pelas vinte e duas era hora do deitar

Pelas seis da manhã todos acordavam

Porque dali a cinco horas

Gente e animais

Só à sombra tinham vontade de estar

Pela fresca caminhava pelos vinhedos

Acompanhando meu tio-avô

Aprendendo a olhar com olhos de ver

Cada cacho de uvas pretas

Cobertas com o pó daquela linda encosta

Socalco a socalco olhados e descidos lentamente

 Chegava-mos ao limite daquela grande propriedade

Para cima regressávamos montados em dois burritos

Os dias passavam quentes preguiçosos

Mas rápidos demais para as minhas férias de veraneio

 Regressava como havia chegado

No velho e lento comboio a vapor

Em Campanhã lá estavam meus avós

Admirados por ter a pele tão tostada pelo sol

Rumava-mos para a Póvoa do Varzim

Onde o frio e o nevoeiro dos verões à beira mar

Contrastava com o grande e lindo sol de Trás-os-Montes

Com muita alegria

Ainda consigo recordar a minha juventude

Em terras de Portugal

 

Marcolino Duarte Osório

          - Peregrino -

          2013-02-09

publicado por Marcolino Duarte Osorio às 12:56
sinto-me: bem feliz

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