31
Jan 10

Coisas Inanimadas...

 
Fui dar uma volta
Pelas montras de livros
Com as suas capas coloridas
Enfeitando espaços
Outrora libertos
Agora pejados destes objectos
Sem vida própria
Tal como muitos dizem
Coisas Inanimadas
Abri um deles
Bem à mostra num dos escaparates
Seu título amorfo
De nada me entusiasmou
Abri ao calhas
Senti aquele toque próprio
De cada página em papel
Cheirei as tintas delas emanadas
Senti-me quase que num outro Mundo
Li ao calhas milhares de caracteres
Dei comigo a compra-lo
Já nos transportes públicos
Tentei olha-lo mais por dentro
«Olha Bem à Tua Volta»
É o seu título
Parei momentaneamente
Olhei todos à minha volta
Tal como todos os livros
Fechados pelas suas capas
Indecifráveis
Insorrisiveis
Amorfos
Dentro dos seus trajes coloridos
Ocupando espaços chamados lugares
Agora pejados destes seres indecifráveis
Sem vida própria
Tal como muitos dizem
Coisas Inanimadas
Mas por dentro de cada um deles
Tal como nos Livros
Um Mundo adorado por uns
Um Mundo repudiado por outros
Olhei de novo para este meu livro
Dentro contem muita Vida
Um Mundo criado por um ser humano
Mas não seremos todos nós
Nados e criados
Por dois Seres Humanos
Ninguém nos lê os Íntimos
Todos reagem aos nossos exteriores
Ficamos tantas e tantas vezes
Esquecidos nos escaparates da Vida
Só porque o nosso exterior é criticável
 
Marcolino Duarte Osório
- Peregrino -
2010-01-31
publicado por Marcolino Duarte Osorio às 01:15
sinto-me: De coração Coragem a bater!

30
Jan 10

Policiamento...

 
Foi no Verão de 2008
Que me aconteceu ser confrontado
Durante uma excursão da 3ª Idade
Com alguém asquerosamente policiador
Porque eu estava a fazer uma foto
A um local cujo dono parecia ele
Fotografei o dito local
Debaixo da sua coacção
Depois placidamente questionei-o
Se era o policia do local
Disse-me que não
Se era o dono do prédio em ruínas
Disse-me que não
Se era camarário ou da Junta de Freguesia
Disse-me também que não
Oh Amigo
Perante tanto não da sua parte
E para terminar a sua faena em beleza
Apenas lhe pergunto
Acha-me com cara de ser uma tábua
Do Campo de Touradas de Braga
 
Marcolino Duarte Osório
- Peregrino -
2010-01-30
publicado por Marcolino Duarte Osorio às 12:32
sinto-me: Ele há cada um...!

29
Jan 10

A Culpa de quem é...

 
Quando nos viramos ostensivamente
Contra esta nossa juventude
Só porque não liga aos mais velhos
Nem lhes dá a primazia
Quiçá um lugar nos transportes
Esqueço-me que fui um dos culpados
Nos transportes
A criança ocupa um lugar como nós
Só porque a sua mamã se está nas tintas
Nem pelos ajustes de o levar ao seu colinho
Assim esta criança habituou-se muito mal
Tornou-se egoisticamente desatenta
Olhando de soslaio ou mesmo de frente
Para quem como ele já foi criança
Mas foi ensinado a dar o lugar
Às senhoras grávidas
Às senhoras de idade
Aos velhos como eu
Não me darem a primazia
Numa entrada
Numa saída
De um elevador
De um transporte público
De um apartamento
De uma entrada do prédio
Esqueço-me que também sou culpado
Porque sempre mandei passar à minha frente
Filhos
Netinhos
Sobrinhos
Enteados
Esta juventude não nasceu errada
Os adultos é que os levaram a errar...!
 
Marcolino Duarte Osório
- Peregrino -
2010-01-29
publicado por Marcolino Duarte Osorio às 23:31
sinto-me: Sem comentários...!
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28
Jan 10

Condescender com a Santa Ignorância...

 
Foi coisa que sempre fiz
Desde que me conheço
Mas alto aí
Quando à minha porta me tocam
Fingindo de Santos Ignorantes
Disfarçados de Maus Mendigos
 
Marcolino Duarte Osório
- Peregrino -
2010-01-28
publicado por Marcolino Duarte Osorio às 10:53
sinto-me: Muitissimo satisfeito...!!!

27
Jan 10

Culpar quem...?!

 
Antes deste Outono
Toda a Comunicação Social
Se levantou em peso
Aqui d' El-Rei
Que vem aí uma Pandemia
Rios de tinta
Quilómetros de filme
Triliões de bites
Foram usados para quê...!?
Entidades envolvidas
Umas acusando outras
Sem chegarem a consenso
Escondem-se agora
Atrás desta Cortina de Silêncio
De toda aquela Comunicação Social
Que a todos assustou
Agora a ninguém acusa
Nem aos Prevaricadores condena
Culpar quem...?!
 
Marcolino Duarte Osório
- Peregrino -
2010-01-28
publicado por Marcolino Duarte Osorio às 23:58
sinto-me: De barrete enfiado...!

26
Jan 10

Graças recebidas...

 
Sentei-me à berma de uma Estrada
Máquina fotográfica a jeito
Sempre à espreita daquele momento
Momento dos momentos únicos
Olhei as copas das árvores
Despidas de folhas
Cujos ramos mais pareciam braços
Estendidos aos Céus
Como que lhes suplicando bonança
Este Inverno já leva trinta e cinco dias
Bastaram dois ou três dias mais amenos
Para que novas folhas se elevassem
Na ponta dos ramos
Dando-lhes aquela Graça do Renascimento
Dei comigo olhar-me interiormente
Buscando renascimentos
Vindos de Graças recebidas de Deus
Sorri-me enlevado
Por todas as Graças recebidas
Qualquer delas
Complementos de outras tantas Graças
Mas a maior Graça de todas as Graças
Foi achar-me um Ser Humano Realizado
 
Marcolino Duarte Osório
- Peregrino -
2010-01-26
publicado por Marcolino Duarte Osorio às 23:15
sinto-me: Completamente realizado!

25
Jan 10

Cada qual fala de Deus...

 
Convicto da sua presença
Nunca da sua existência
Quem de Deus fala
Sente-o vivo a seu modo
Nada mais nada menos
Que a sua amálgama
De sentimentos
De dores
De tormentos
De vaidades
De maldades
De desencorajamento
De vinganças
Do espelho da sua alma
Alma conflituosa
Alma descrente
Alma já sem dono
Alma errante
Alma vingadora
Alma já sem Alma
Cada qual fala de Deus
Não como se ele fosse um Ser Bom
Mas sim um inerte muro de acusações
A quem se diz o que lhes vai na alma
Sem que ele reaja tal como todas as pedras
Aglutinadas umas às outras
Qual massa disforme de um deus malvado
Feitas à medida dos que as idealizaram
Para ali descarregarem
Seus desalentos
Suas iras
Seus desgostos
Suas inconfessáveis confissões
Quanto amargor interior
Contra aquele Deus inventado
Porque jamais o viram
Porque se sentem impotentes
Porque se dão à inferioridade
 
Marcolino Duarte Osório
- Peregrino -
2010-01-25
publicado por Marcolino Duarte Osorio às 23:14
sinto-me: Não deixe murchar o Deus lindo
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23
Jan 10

Saber estar na Vida...

 
Ele foi rejeitado
Por Amigos e Família
Passou a viver isolado
Sem ter alguém
Que dele se interessasse
Foram anos de ruína
Foram anos de dissabores
Foram anos de isolamento
Foram anos de abandono
Um dia
A Sorte bateu-lhe à Porta
Em forma de dinheiro
Tanto e tanto era
Que resolveu manter-se isolado
De todos quanto de si se isolaram
Resolveu mudar de vida
Mudou-se de local e residência
Passou a morar mais a seu gosto
Mais de acordo com a sua fortuna
Um dia
Alguém de um antigamente recente
Lhe perguntou
Se tinha repartido com os filhos
A Fortuna que tinha em mãos
Apenas respondeu ironicamente
Tê-la-ão sim
Mas só depois de eu morrer
Porque quem de mim se apartou
Sem razões aparentes
A mim virá sem a Razão dos Dinheiros
 
Marcolino Duarte Osório
- Peregrino -
2010-01-23
publicado por Marcolino Duarte Osorio às 09:24
sinto-me: Ele há coisas...!

22
Jan 10

Sempre gostei de receber...

 
Era o que se escutava antigamente
Era ver casas engalanadas e iluminadas
Quer fossem apartamentos
Ou se tratassem de vivendas
Ou ainda as existentes Quintas
Os tempos mudaram
Comer deixou de ser convívio prazenteiro
Comer passou a ser industrializado
Restaurantes na penúria
Deitaram mãos a esta nova Regra Social
Alugam espaços livres
A famílias também há muito na penúria
Paga-se a prestações
Com cheques pré-datados
Come-se de pé
Conversa-se de pé
Gira-se a pé para não perder pitada
Orquestra sem vintém é alugada à hora
Dança-se de pé porque sempre foi norma
Um Fotografo também sem eira nem beira
Dá flashadas a torto e a esmo
Aos agraciados pelo Relações Públicas
Há que convidar um Jornalista dos Colunáveis
Regra de ouro dos arrivistas
Que o tempo é de crise
E as bolsas cada vez mais magras
 
Marcolino Duarte Osório
- Peregrino -
2010-01-22
publicado por Marcolino Duarte Osorio às 02:38
sinto-me: Numa hora de mudança...!
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Quanto dos nossos amargores...

 
São amargores causados
Por gente amarga à nossa volta
Que assim também se tornaram
Porque nasceram num mundo de dores
Habituamo-nos andar de amargores
Quando nos dizem coisas sãs
Logo espirramos com amargor
Antes de nos escutarmos interiormente
Para que este nosso espirro
Em doce suspiro de alívio se torne
 
Marcolino Duarte Osório
- Peregrino -
2010-01-22
publicado por Marcolino Duarte Osorio às 02:02
sinto-me: A ofertar-te esta flôr!

Janeiro 2010
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