25
Jan 10

Cada qual fala de Deus...

 
Convicto da sua presença
Nunca da sua existência
Quem de Deus fala
Sente-o vivo a seu modo
Nada mais nada menos
Que a sua amálgama
De sentimentos
De dores
De tormentos
De vaidades
De maldades
De desencorajamento
De vinganças
Do espelho da sua alma
Alma conflituosa
Alma descrente
Alma já sem dono
Alma errante
Alma vingadora
Alma já sem Alma
Cada qual fala de Deus
Não como se ele fosse um Ser Bom
Mas sim um inerte muro de acusações
A quem se diz o que lhes vai na alma
Sem que ele reaja tal como todas as pedras
Aglutinadas umas às outras
Qual massa disforme de um deus malvado
Feitas à medida dos que as idealizaram
Para ali descarregarem
Seus desalentos
Suas iras
Seus desgostos
Suas inconfessáveis confissões
Quanto amargor interior
Contra aquele Deus inventado
Porque jamais o viram
Porque se sentem impotentes
Porque se dão à inferioridade
 
Marcolino Duarte Osório
- Peregrino -
2010-01-25
publicado por Marcolino Duarte Osorio às 23:14
sinto-me: Não deixe murchar o Deus lindo
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Janeiro 2010
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