31
Mar 10

Se alguma vez amei...

 

Deve ter sido por distracção

Porque amar mesmo a sério

Nem quando de ar sério estava

Mas amar para quê

Para me prender a alguém

Transformava em ponto final

A minha liberdade incondicional

Ora ora

Vamos lá flautear

Que esta vida é curta demais

Mas nunca flautear

Com aquela flauta de encantar

Flautear sim

Mas aquele flautear doce

Flautear ao ralenti

Para mais gozo me dar

E acabar bem mais tarde

Mas dentro do mesmo dia

Para que o mel não se pegue

E nunca mais te poder dizer

Se alguma vez amei

Deve ter sido por distracção

Porque amar mesmo a sério

Nem quando de ar sério estava

Este poema fi-lo hoje

Para poder dar-me a conhecer

Amanhã já não teria graça

É o Dia de Todas as Mentiras

 

Marcolino Duarte Osório

- Peregrino -

2010-03-31

publicado por Marcolino Duarte Osorio às 23:22
sinto-me: e esta hem...?!

30
Mar 10

É de lamentar...

 

É de lamentar

Que alguém jovem

Se tenha dado ao trabalho

De se esconder

Por medo

De ser roubado

Pelos Caçadores de Fortunas...

Quem assim se escondeu

A sua Felicidade destruiu

Foi porque alguém lhe ensinou

A viver eternamente na Mentira

Alguém com forte preponderância

Sobre a sua psique

Porque esse alguém

Tempos idos

Também assinou desta forma

O seu casamento anterior

Em que reclamava Verdade

Ao seu par

Mas nunca ao seu par

Alguma vez

Com a Verdade lhe foi Fiel

 

Marcolino Duarte Osório

- Peregrino -

2010-03-30

publicado por Marcolino Duarte Osorio às 05:38
sinto-me: a dar-vos este recadinho...!

26
Mar 10

Perder um Pai...

 

Um Pai jamais se perde

Porque a sua presença diária

Neste belíssimo Planeta Azul

Faz-se sentir

Quase que eternamente

Pela sua descendência

Pelos nobres valores humanos

Que fez sempre de si

Um Pai Presente

Um Pai de Afectos

Um Pai muito Pai

 

Marcolino Duarte Osório

- Peregrino -

2010-03-26

publicado por Marcolino Duarte Osorio às 09:38
sinto-me: Um forte abraço para ti!
tags:

Serei eu um Poeta...

 

Já sei

Já sei

Que para se ser Poeta

Tem que se ter rima

Tem que se ter métrica

Tem que se acertar nas vogais

Tem que lhes juntar as consoantes

Tem que se escrever sem erros

Tem que se interpor entre palavras

Pontos e vírgulas

Dar-lhes ênfase com exclamações

Dar-lhes aquele ar de inquiridor

Com as interrogações

Em caso de dúvida

Recorrer aos prontuários

Gramáticas e dicionários

Tanta coisa para se interromper

Um lindo pensamento

Que o melhor

Companheiros Blogueiros

Não haja dúvida alguma

É escrever como falo

Dedilhar este teclado

Com a leveza dos meus dedos

Que o percorrem

De cima a baixo

Da direita para a esquerda

E vice-versa

Para não perder pitada

Do debitar de ideias

Umas vezes uma a uma

Outras em catadupa

Que me brotam deste meu cérebro

Desde que nasci

Até

Se Deus o permitir

Para lá dos Céus

Sim senhora

Depois de deixar este meu corpinho

Num qualquer Jazigo de Família

Meu espírito estará

Não a prestar contas

Mas a regozijar-se

Com a minha Obra

Feita

Neste lindíssimo Planeta Azul

Onde uns se matam a rimar

Mas outros rimam sem se matar

 

Marcolino Duarte Osório

- Peregrino -

2010-03-26

publicado por Marcolino Duarte Osorio às 01:29
sinto-me: Iluminado por Deus...!
tags:

25
Mar 10

Bruxarias...

 

Ele há coisas

Nesta vida de todos nós

Quem nem ao pior diabo lembraria

Contaram-me hoje

Como sendo grande verdade

Que uma Bruxa

Daquelas enormes

Gordonas

Horrendas

Se lembrou de unir um casal

Desavindo de há longa data

Obrigando-os a encomendar um nené

Assim o determinou

Assim foi feito

Só que o tal nené

Jurava a Bruxa a pés juntos

Era um rapaz

Pela certa

Os nove meses chegaram

Mais dia

Menos dia

A criança nasceria rapaz

Agora topem só

Como a Bruxa era esperta

À frente de ambos

Simulou uma incorporação

E o seu Guia Mor

Anunciou pressurosamente

Com voz grave e convincente...

Numa espécie de ladainha

Que Deus havia decidido

À última da hora

Que o rapaz

Em vez de nascer com pilinha

Seria uma linda menininha

Marido e esposa

De enxoval azul-bebé

De raiva

Choraram os seus desesperos

E logo dois dias depois

Uma gravidez arrapazada

Virou num parto de uma linda donzela

Mas o mais engraçado

É que ambos os desavindos

Acreditaram no tal milagre

No dia do Baptizado

Lá estava a Bruxa Malvada

A servir de Madrinha

À linda menininha

Que em vez de rapaz

Veio mesmo rachadinha

Bruxarias...

 

Marcolino Duarte Osório

- Peregrino -

2010-03-25

publicado por Marcolino Duarte Osorio às 02:20
sinto-me: bem disposto...!
tags:

24
Mar 10

Esta madrugada acordei...

 

Com a chuva

A bater nas vidraças

Das janelas do meu quarto

Daqueles acordar

Que nos dá a nítida sensação

De que ainda estamos a sonhar

Desejei abrir os olhos

Não conseguia

As pálpebras

Demasiado adormecidas

Teimavam manter-se cerradas

Coloquei

Meus ouvidos à escuta

Mas a minha curiosidade

Aliada a minha dúvida

Acabou por me fazer ver

Que o melhor para mim

Seria da minha cama saltar

Assim o pensei

Assim assomei à janela do meu quarto

Ela vinha correndo de Sul

Miudinha mas forte

Açoitada pelos ventos

A esta minha janela batia

Quiçá pedindo abrigo

Ou seria para me dar a saber

Que olhando lá para fora

Esta poesia faria nascer

 

Marcolino Duarte Osório

- Peregrino -

2010-03-24

publicado por Marcolino Duarte Osorio às 05:10
sinto-me: de coração pleno de amor...!

22
Mar 10

Uma Poesia...

 

Não o é só por ser criada

Pelos Poetas

Ela é-o por inteiro

De todos os Humanos

Quer sejam Poetas

Quer sejam Ascetas

Quer sejam Boémios

Qualquer ser humano

É Poeta

Mesmo que o não considerem

Porque ser Poeta

Não é só saber escrever em verso

Versos rimados

Versos desrimados

Com bonitos rodriguinhos

Tal como os versejadores o fazem

Os Poetas Ascetas

Em verso buscam a sua perfeição

Impotentes nas suas imperfeições

Buscam

Buscam

Por mais que o façam

Com e sem rima

Não param de poetar

Porque à Verdade nunca se acham chegar

Os Poetas Boémios

Esses sim

Em verso cantam as suas mágoas

Em verso cantam as suas aventuras

Em verso fazem-nos chorar

Em verso fazem-nos rir

Em verso fazem-nos sonhar

Em verso fazem-nos reencontrar

Aquele mundo há muito perdido

Escondido dentro de todos nós

Um mundo dos sentidos

O mundo da poesia desrimada

Poesia nascida com cada qual

Poesia dos repentistas

Poesia dos de alma pura

Despedida de preconceitos

Despedida de regras gramaticais

Despedida de honrarias

Despedida de sotaques

Despedida das mais-valias

Porque ela é-o por inteiro

De todos os Humanos

 

Marcolino Duarte Osório

- Peregrino -

2010-03-22

publicado por Marcolino Duarte Osorio às 22:35
sinto-me: inspirado...!

20
Mar 10

Sábado, por etapas...

 
Depois de uma manhã preguiçosa, passada às compras, numa das grandes superfícies, dos arredores do Porto, deitamos mãos à obra, eu e as minhas filhas, para confeccionar umas belíssimas Tripas à Moda do Porto, bem apaladadas, daquelas que sabem a pouco..., mas bem acompanhadas com Frei João, tinto, evidentemente...!
 
Depois de almoçarmos, devidamente refastelados, cada qual em seu lugar, servimo-nos da Nespresso. Para ter um mínimo sabor a café genuíno, resolvi optar pela cápsula da embalagem negra.
 
Minha filha mais velha estendeu-me um grande balão aquecido. Aspirei os vapores que dele emanavam, rejubilei, porque aquele néctar, era um dos meus preferidos: O Cognac Courvoisier Napoleon...!
 
Tinha o meu neto sentado do meu lado esquerdo, bem aninhado, debaixo do meu braço. Minha filha pediu-nos para darmos um jeito, e sentou-se do meu lado direito e assim ficamos, em trilogia, conversando amenamente.
 
A dada altura, meu netito, perguntou-me se o acompanhava à catequese, para depois assistirmos, ambos, à missa dos jovens. Respondi-lhe de imediato que sim!
 
Minha filha mais nova, e a minha mais velha, não esconderam o ar da sua perplexidade perante esta minha atitude. Mais tarde, sem o garoto ouvir, e ver, desejaram esclarecer se me havia convertido do Agnosticismo ao Cristianismo.
 
Sorri-me, e lembrei-lhes, que o hábito nunca fez um monge e que, como homem decente, respeitador das suas opções religiosas, não estava para desiludir uma criança de 10 anitos, ainda no começo do Catecismo, já com a Primeira Comunhão feita. Ele teria tempo de sobra, vida fora, para se aperceber, por ele mesmo, dos dislates da santa madre igreja e poder optar, em plena liberdade religiosa, sem qualquer influência da parte deste avô, que soube sempre assumir-se, mas nunca ousou ferir susceptibilidades, quer religiosas, quer politicas, da família, dos amigos e de terceiros!
 
Próximo da hora da Catequese, Levamos o rapaz à Igreja. Pelos corredores encontrei um velho amigo de juventude, o Frei Custódio. Com um forte, e fraternal abraço, nos saudamos. Perguntou-me ao que ía. Respondi-lhe que ía acompanhar, aquele meu netito, à sua aula de Catequese.
 
Enquanto decorria esta aula do meu netito, pedi, às minhas filhas, para irmos visitar o Jazigo de Família, onde repousam os restos mortais da sua mãe, minha ex-mulher. De mãos dadas, ladeado por ambas, como sempre fazemos, nesta romagem de singela homenagem, a quem nos encheu os corações de amor e muitíssima alegria, rezamos uma curta mensagem, pela sua benéfica presença, nas nossas vidas!
 
Regressamos de novo ao templo. Finda a Catequese, o meu neto, veio a correr para junto de nós e, em quarteto, ficamos assistir à Missa dos Jovens.
 
A cerimónia não custou a passar, porque aquelas jovens vozitas, plenas de santa inocência, acompanhadas por duas violas, davam uma alegria muito especial aquele momento solene.
 
De regresso a casa, iniciei o meu netito nos rudimentos da programação. Num ápice apreendeu tudo o que lhe ensinei, e já colocou a rodar, no seu computador, um pequeno estudo, de um site pessoal, de internete. Esta juventude, aprende rápido, estas coisas modernas. O conteúdo do site, o número de páginas, ele irá decidir, durante a semana, fazendo um organograma de conteúdos, para depois o racionalizar, e construir aquilo que mais desejar fazer, como página pessoal.
 
Depois de um almoço tão pesado resolvemos fazer um jantar ligeiro. Agora, aqui estou de novo, descrevendo este belíssimo sábado, passado em família, com as duas filhas, genros e netos.
 
Amanhã é domingo. As saudades começam a fazer das suas. Mas há mais umas horas para nos divertirmos, convivermos, em família!
 
A vida não pára, só a morte nos separará de novo!
 
Marcolino Duarte Osório
- Peregrino -
2010-03-20
publicado por Marcolino Duarte Osorio às 23:00
sinto-me: em Familia...!

Na Invicta, no meu Dia do Pai...

 
Quinta-feira, ao final da tarde, cheguei a Campanhã, ansioso por me reencontrar, mais uma vez, com minhas filhas e meus netinhos.
 
Na véspera, havia sido convidado a passar, com todos eles, este bem-amado Dia de Todos os Pais. Não me fiz rogado. Tratei de comprar, pela internete, uma passagem de ida e volta, num dos comboios da minha preferência, não só pelos horários, mas também pela sua rapidez.
 
O serão de 5ª-feira prolongou-se além daquilo que é habitual. Todos eles desejavam saber novidades, todos eles desejavam dar noticias até que um dos meus netitos, o mais velhito, resolveu convidar-me a dormir no seu quarto. Ele fez questão de dormir no beliche, na cama de cima, e reservou-me a comodidade do seu, menos problemático para que me pudesse levantar mais cedo, quiçá deambular pela casa, durante a noite, como foi sempre meu hábito.
 
Sexta-feira, Dia de todos os Pais, senti-me no Céu com tantos afectos, tantos carinhos, tantos cuidados, tantos mimos, que dei comigo a tomar o pequeno-almoço, sentado tranquilamente, com o meu netito. Tagarelou que deu gosto! Pediu-me que o levasse à escola, ali bem pertinho de casa. Lá fomos os dois, de mãos dadas, conversando como dois grandes companheirões. Fui autorizado a entrar com ele. Fui exibido, como era de esperar, perante o olhar meio desconfiado dos outros nenés, como aquele avô que mora em Lisboa.
 
Ao final da tarde, fui buscá-lo, como combinado e regressámos a casa, meio apressados, para ajudar a preparar a festinha dos pais e do avô.
 
O jantar decorreu em família. Traquinices da miudagem interrompiam as nossas conversas. Mais uma vez, o serão, foi além do habitual...
 
Esta manhã acordei meio estremunhado, sem saber que horas seriam, e com vontade de beber um belo café com leite. Fui até à cozinha e lá preparei esta minha bebida matinal...
 
De chávena morna, entre as duas mãos, beberricava este delicioso café com leite, e olhava, com muita nostalgia, para a chuva que batia nas vidraças das janelas da cozinha.
 
Foi assim que hoje amanheceu no Porto...!
 
Sempre fui avesso à chuva e ao frio, principalmente aquele tipo de friagem muito húmida, que me entra pelas articulações, provocando-me mau estar. Por isso é que me senti nostálgico e com pouca vontade de ficar mais um dia. Mas a minha viagem de regresso já estava estipulada ser no Domingo à noite.
 
Fui até à Internete. Consultei o Tempo. Frio e chuva para Norte. Para as minhas bandas, amanhã, domingo, estará bem mais quente, acima de tudo, com o Rei Sol a brilhar, facto da minha predilecção!
 
Depois de consultar o site do Tempo, resolvi entrar no do JN. Depois foi chamar o Word e toca a escrever estas linhas para vos dizer, daqui do Porto, um olá, meio friorento, atirar para o tristonho da chuva…
 
Olá a todos!
 
Marcolino Duarte Osório
- Peregrino -
2010-03-20
publicado por Marcolino Duarte Osorio às 08:27
sinto-me: de coração pleno de Felicidade

06
Mar 10

Chovia...

 
Chovia copiosamente
Assomei à porta
Via do céu jorrarem bátegas
Caindo em cima dos carros
Com aquele enorme barulho
Semelhante a das areias
Aquelas areias grossas
As areias de aluvião
Lançadas por mãos expeditas
Por cima das chapas de zinco
Vindos de Sul
Os clarões iluminavam
Esta bela noite lisboeta
Transformavam em fantasmas
Prédios e casas
Candeeiros e árvores
Que fugiam espantados
Com o ribombar dos trovões
Suspirei
Olhei para mim mesmo
Imaginei-me outrora
Dentro do meu carro
Abrindo caminho
Dentro das bátegas de água
Como se sulcasse mares imensos
Em busca do meu pecúlio
Para aos meus sustentar
Dando-lhes
Cama mesa roupa vestida
Para que um dia
Bem mais tarde
Se recordassem de mim
E das minhas longas ausências
Não como um aventureiro
Mas sim como um pai obreiro
 
Marcolino Duarte Osório
- Peregrino -
2010-03-06
publicado por Marcolino Duarte Osorio às 02:52
sinto-me: muitissimo feliz...!

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