29
Set 10

 

D. Armindo Lopes Coelho...

 

Pessoa que conheci

Em finais de 1972

Tempos antes de me casar

Homem Pessoa

Homem Inteligente

Homem Religioso

Homem que me abriu os Horizontes

Por me ter Contado certas Verdades

Presidiu à Celebração do meu casamento

Com a Maria Manuel

Na Basílica de Santa Luzia

Na cidade de Viana do Castelo

Num dia chuvoso e frio

Num festivo e ditoso de 19 de Março

Decorria o ano de 1973

Em finais de Agosto de 1997

Presidiu à celebração do casamento religioso

Da minha primogénita com o seu marido

Na nossa pequena capela de família

Dedicada a Nossa Senhora do Bom Sucesso

Situada na então Casa de Martim

D. Armindo era Homem demasiado ocupado

Mesmo assim dispensava-me algum do seu tempo

Para discernirmos sobre a Vida

Há poucos minutos

Soube da sua Morte Física

Comovi-me

Senti-me mais só

Sem menos este Homem Bom

Não só por sermos Amigos

Mas também por nos entendermos mutuamente

 

Marcolino Duarte Osório 

- Peregrino -

2010-09-29

publicado por Marcolino Duarte Osorio às 19:15
sinto-me: um pouco mais só...!

Corretores Ortográficos...

 

Quem não sabe o que isso é

O tal programinha de computador

Muitíssimo bem preparado

Muitíssimo bem-educado

Bem dentro das normas

Do Português mais correto possível

Depois de almoçar em casa

Resolvi ir até um dos cafés

Daqueles muito concorridos

Numa amálgama social

Típica de um dia de semana

Em início de uma bela tarde soalheira

Numa das mesas ao lado da minha

Um casal entrou em alvoroço

E toca a desabafar em voz alta

Não chegando a via de factos

Mas sim ao douto palavrão carroceiro

Que nem rameiras de prostíbulo

Ousavam dizer mesmo nos seus domínios

A minha companheira de mesa

Uma doce e velha amiga de 80 anos

Quase entrou em transe com o vernáculo

Serenados os ânimos por alguém conhecido

O doce tempero do início desta tarde outonal

Regressou ao local

As conversas desejaram continuar amenas

Como se nada tivesse acontecido

Sorri-me intimamente

Com esta luminosa ideia

Em vez de Chá

Porque não um Corretor Comportamental

Em forma de microchip

Mas colocado logo à nascença...!

 

Marcolino Duarte Osório

- Peregrino -

2010-09-29

publicado por Marcolino Duarte Osorio às 00:21
sinto-me: fixe, mas sem privacidade...!

24
Set 10

Caixa do Correio...

 

Sempre comparei minha Memória

A uma enorme Caixa do Correio

Onde se guardam a toda a hora

Todos os dias

Uma vida inteira

Vivências já passadas

Numa amálgama de correspondência

Onde se misturam factos ocorridos

Que permanecem nessas datas

Eternamente estáticos

Por terem acontecido

E ficado parados

No Tempo do Tempo do seu Tempo

Pessoas

Cheiros

Coisas

Paisagens

Tudo ficou estático com as mesmas vestes

Tudo se tornou numa miragem já passada

As Pessoas modificaram-se ou morreram

Os Cheiros dissiparam-se

As Coisas Alteraram-se ou Desapareceram

As belas Paisagens deixaram de ser belas

Porque Nada se Perde nem Nada se Cria

Tudo se Transforma

Percorri minhas memórias uma a uma

Resolvi desfazer-me de todas elas

Mas não era capaz

Havia sempre alguma boa ou má

Que como com as velhas revistas faço

Ainda tinha algo que se aproveitasse

E esta Caixa do Correio

Transformada em Baú de Recordações

Ou mesmo restos delas muito mal aproveitados

Não havia meio de ficar limpa

Não havia meio de ficar leve

Não havia meio de deixar de pesar no meu Presente

Um dia acordei predisposto a limpar as Recordações

Custou mas foi

Fi-lo com a inteligência dos Desinibidos e Decididos

Sem a sensação de Perca quiçá de Pecado à mistura

A minha Caixa do Correio ficou completamente vazia

Minhas costas se endireitaram

O dia-a-dia sabe-me melhor que nunca

Sem Perfumes nem Travos amargos do Passado

Nem os fantasmas parados no Tempo da minha Memória

De Pessoas

De Cheiros

De Coisas

De Paisagens

Para Viver inteiramente cada Dia como Deus quer que o faça...!

 

Marcolino Duarte Osório

- Peregrino -

2010-09-24

publicado por Marcolino Duarte Osorio às 13:54
sinto-me: de coração pleno...!!!

16
Set 10

Candeia que vai à frente...

 

Ilumina duas vezes

É um adágio popular

Umas vezes iluminando mesmo

Outras apenas fazendo sombras

Sombras estranhas

Estranhas sombras

Vindas de quem ensombrar gosta

Deitando-se adivinhar

Sem Pêndulos

Sem Bolas de Cristal

Usando apenas Cartas

Cartas de um Jogo Sujo e Viciado

Apanágio de muitos escrevinhadores

Peritos na desinformação

Para que as audiências aumentem

Para que se vendam mais jornais

Para que as revistas não se esfumem

Mentem

Ferem

Destroem Vidas

Destroem Lares

Destroem Empregos

Sem jamais repararem o mal que fazem

Continuam impunes donos das suas mentiras

Informação mal dada de propósito

Com o direto propósito de destruir

É ferramenta que teu sepulcro abrirá

 

Marcolino Duarte Osório

- Peregrino -

2010-09-16

publicado por Marcolino Duarte Osorio às 07:15
sinto-me: ir tomar café contigo...!!!

13
Set 10

A minha Escola foi...

 

Uma grande Fonte

Fonte de ideias vivas

Algumas delas

Já tornadas ideais

Outras

Nascidas a seu tempo modernas

Fruto de grande amadurecimento

Dando novos mundos

Aos nossos pequeninos mundos

A minha Escola

Nunca foi apenas um edifício

Era uma grande elite

Que outras elites formavam

Os professores tinham o seu mundo

Que aos alunos

Seus pequeninos mundos faziam crescer

Os professores eram respeitados

Porque ao respeito se sabiam dar

Familiaridades

Apenas em casa com os seus filhotes

Mesmo assim

O respeitinho era seu apanágio

Para nunca se demitirem de progenitores

Ser humano e exigente com os alunos

Nas suas amálgamas de identidades

Conduzindo-os pelas veredas da Sabedoria

Limando-lhes as arestas do entendimento

Isso era sempre seu dogma

Mas as tais familiaridades de amigo

Seria a sua demissão como pedagogos

Seria o fim do respeito recíproco

Seria um convite ao abandono escolar

Pela falta das tais fronteiras da Sabedoria

Que aos Sábios lhes dá a humildade

E aos preguiçosos apenas atrevida ignorância

Aquilo que foi a minha Escola

Desejava que ainda hoje continuasse vivo

Para que a Escola deixasse de ser

Um mega recreio de ignorância e maus hábitos

Onde nos recreios se multiplica a exclusão social

Pomposamente denominada de bullying entre ghettos

Os meninos serão sempre meninos sem crescer

Se aos seus professores com bullying tratarem

Seria tão bom que os meninos das Escolas de hoje

Bem diferentes desejassem ser

Deixariam de ser peritos de ignorância e maus hábitos

Passariam a ser o Futuro de um Amanhã Inteligente

 

Marcolino Duarte Osório

- Peregrino -

2010-09-13

publicado por Marcolino Duarte Osorio às 00:31
sinto-me: muitissimo satisfeito...!!!

09
Set 10

Alô ó da Moita...

 

Foi no que deu este casamento

Entre o Moita Flores

E a dona Judiciária

Despediu-se do poeta

Para vestir a sua verdadeira pele

Mostrando-se arauto sanguinário

Tal como os Imperadores

Da Roma antiga

Olhavam as chamas ateadas

Destruirem o belo das suas cidades

Vislumbro

Mas sem perguntar a um Oráculo

Moita Flores inflamado

Numa arena pintalgada de vermelho

Rodeado de toiros feridos de morte

Que de patas dianteiras postas

Ajoelhados nas trazeiras

Lhe suplicam Clemência Máxima

Porque aos Homens

O que é dos Homens

E aos Touros lindos e Negros

As doiradas Lezirias do Ribatejo

Pradarias do Amor em Paz

Para se poderem refugiar em manada

Destes Moitas predadores

Eleitos pela sua comunidade

Para o governo da sua Câmara

E nunca pelos Toiros de Morte

Para à Santa Morte se entregarem

 

Marcolino Duarte Osório

- Peregrino -

2010-09-09

publicado por Marcolino Duarte Osorio às 17:18
sinto-me: triste pela carnificina...!!!
tags:

06
Set 10

De Médicos e Loucos...

 

Cada qual deseja a sua dose

Repercutindo-se anormalmente

Para certos e desacertados

Juízos de Valor

A Polivalência

Quiçá Polisabedoria

Com laivos de Omnisciência

É matéria do Reino dos Ignorantes

Que nunca souberam nada de si

Mas dos outros tudo sabem

Do Varredor das Ruas ao Doutor Juiz

Qualquer deles não se vê

Nem Juiz nem Varredor das Ruas

Mas de ambos sabemos todos

Que como humanos são iguais

Mas de um para o outro se exigem

O varredor das Ruas do Juiz

Que lhe faça as suas vontades

Do Juiz para o Varredor das Ruas

Que as mantenha altamente asseadas

De dúbia Polisabedoria

Cada qual tem a sua dose

Repercutindo-se anormalmente

Para certos e desacertados

Juízos de Valor

 

Marcolino Duarte Osório

- Peregrino -

2010-09-06

publicado por Marcolino Duarte Osorio às 05:42
sinto-me: fora deste contexto...!!!

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