28
Mar 12

 

A Magia de viver…

 

A Magia de viver

É muito pessoal

É muito intima

Diz respeito a cada Ser

Encontrei sempre Magia

Na minha forma de estar na Vida

Nunca a comparei com a dos outros

Porque em cada um deles há Magia

Mas uma Magia que lhes é própria

Uma Magia inimitável

Uma Magia à sua dimensão

Uma Magia Invisível

Uma Magia Contagiante

Que nos torna diferentes dos demais

Que nos torna iguais na reconstrução Universal

 

© M. Osorio

 - Peregrino -

  2012-03-28

publicado por Marcolino Duarte Osorio às 00:39
sinto-me: Bem feliz...!!! ;)

19
Mar 12

 

Hoje é o Dia do Pai…

 

Hoje é o Dia do Pai

Acabei de chegar de uma visita

Fui ver abraçar e dar ânimo

A um preso de delito invulgar

Detido há alguns meses

Na Penitenciária de Lisboa

Ele é filho de um velho Amigo

Mas o facto de estar preso

Nunca teve importância para mim

Encontrei à entrada

Seus pais e sua mulher e os dois filhos

Cumprimentei-os

E aguardei em silêncio pela minha vez

Para dar a este Preso por Delito Invulgar

O meu Abraço Solidário bissemanal

Aquele Grande Abraço que aos Amigos não se nega

Aquele Grande Abraço pleno de Afectos

Aquele Grande Abraço que só alguns conseguem dar

Porque não olham às circunstâncias

Porque aos Grandes Amigos foram sempre Fieis

Porque as Grandes Amizades desconhecem barreiras

Chegada a minha vez de lhe dar o meu Grande Abraço

Olhamo-nos olhos nos olhos

Os dele estavam marejados de lágrimas incontidas

Com os meus olhos incutia-lhe Confiança e mais Paz

Fora condenado sem provas concretas

Erros Judiciais vulgarizaram-se

Os seus advogados trabalhando afincadamente

Estão cientes de que ele será reavaliado e absolvido

E que o verdadeiro culpado será encarcerado

Segredou-me que ali dentro se apercebera dos Amigos

Concluiu que alguns Familiares o tornaram Proscrito

Todos viraram costas

Todos o tinham abandonado

Dei-lhe mais um abraço bem apertado

Retirei-me para que ficassem em Família no Dia do Pai

Hoje é o Dia do Pai…

 

© M. Osorio

 - Peregrino -

  2012-03-19

publicado por Marcolino Duarte Osorio às 18:33
sinto-me: Um Pai e um Amigo bem Feliz..!

16
Mar 12

 

Sentei-me junto à Estátua…

 

Sentei-me junto à Estátua

Numa das esplanadas lisboetas

Olhei em redor

Só vi a Estátua de um tal de Pessoa

Cumprimentámo-nos em silêncio

Quedou-se mudo como sempre

Resolvi imitá-lo

Quedo e mudo por ali permaneci

Até me cansar de mudo e quedo estar

Sorri-me amargamente

Só de ter pensado

Na quanta solidão vive e reina mundo fora

Vejamos então

Quantas estátuas por este Mundo existem

Gente feita Estátua de Pedra nada apessoada

Gente de semblante cerrado

Gente sem desejar conversar

Gente olhando apenas para seus umbigos

Gente que nem dá que lhes sorrimos

Gente que não corresponde ao nosso cumprimento

Gente que vocifera mas nunca apresenta soluções

Gente que de outras gentes não é capaz de gostar

Sentei-me junto à Estátua

Numa das esplanadas deste meu bairro

Olhei em redor

Só vi em cada mesa estátuas isoladas

Olhando vagamente em redor

Mergulhados nos seus pensamentos

Rostos preocupados

Rostos feridos pelas suas vivências diárias

Rostos sulcados de rugas profundas

Rostos pouco amigáveis que afugentam quem os olha

Sorvi dois goles de café

Acendi um cigarro

Aspirei o doce fumo

Tossi violentamente

Uma das estátuas na mesa ao lado perguntou

É da Gripe

Respondi-lhe prazenteiramente

Não

Nada disso

É  a maldita tuberculose que não me larga…

Continuei a fumar tranquilamente

Fazendo argolinhas de fumo

Tossi com violência de propósito

A estátua sentada na mesa ao lado nada me disse

Fiquei satisfeito

Mais valia estar calada no seu papel de estátua

Do que escutar meu tossicar de quando em vez

 

© M. Osorio

 - Peregrino -

  2012-03-16

publicado por Marcolino Duarte Osorio às 05:59
sinto-me: um não estátua...!

12
Mar 12

 

O meu Avô Duarte…

 

O meu Avô Duarte

Foi um Avô que me encantou

Não porque brincasse comigo

Mas sim pela sua humanidade

Foi sempre um homem reservado

Desenhador e Topógrafo de profissão

Depois do trabalho quando chegava a casa

Ao final da tarde

Sentava-se num cómodo banco

Em frente ao seu cavalete

Onde dava largas à sua Arte

Pintando sobre telas

O Amor com via o Mundo em seu redor

Quando o visitava ao final das tardes angolanas

Entrava em silêncio para o saudar

Trocavamos nossos olhares de satisfação

Recebia dele como recompensa

Uma pincelada a óleo na ponta do meu narizito

Nunca perguntei o que estaria a pintar

Porque as suas pinceladas eram tão perfeitas

Que falavam aos meus cinco sentidos

Pintava a óleo

Pintava a Pastel

Pintava a Aguarela

Desenhava a Carvão

Cedo de mais enviuvou

Escolheu vir viver connosco para não se sentir tão só

Foi nessa altura que deixou de pintar

Porque a dona Celeste musa inspiradora

Da sua Vida se apartou

A tristeza apossou-se dele

Em vez de colorir telas

Passou a ler em silêncio no seu cantinho

Fumando cigarros sobre cigarros

Olhando da nossa varanda o mar em frente

Até à linha do horizonte

Onde os rubros do Sol Angolano o saudavam

Para que despertasse da sua letargia

Para que secasse as lágrimas da tristeza infinda

Que lhe corriam faces abaixo

À espera de partir para junto da sua amada

Depressa partiu para junto dela

Alguns netos e bisnetos dele herdaram

O Património invisível da sua Arte

A Arte de reproduzir com Amor

Tudo quanto os olhos consigam abarcar

É com orgulho temperado que nos recordamos dele

Porque apesar de ser de poucas falas

Suas Obras a Óleo Pastel Carvões e Aguarelas

Falarão connosco gerações infindas

 

© M. Osorio

 - Peregrino -

  2012-03-12

publicado por Marcolino Duarte Osorio às 12:25
sinto-me: com saudades de ti Avô Duarte!

06
Mar 12

 

O meu Avô José…

 

O meu Avô José

Era um homem muito grande

Era um homem de mãos enormes

Mão calejadas de Maquinista

Quando em mim pegava ao colo

Sentia-me seguro

Lá de muito alto da sua altura

Eu olhava tudo de lá cima cá para baixo

O que me fazia sentir ainda mais igual a ele

O meu avô era muito forte

Ele era possante

Tinha muita força mas era sempre meigo

Quando podia viajar com ele

Entre duas estações a meio da viagem

Meu pai levava-me até à grande locomotiva

Para aí

Ao colo do meu Grande Avô

Me deliciar com as paisagens africanas

Apanhar na carita aquele ar fresco da manhã

Contrastante com o calor abrasador da locomotiva

Olhar a medo quando a enorme porta da fornalha

Era aberta para ser abastecida de lenha

Lá de dentro saíam fagulhas e uma grande luz alaranjada

O calor era enorme

Os ferros da locomotiva estavam tão quentes

Que minhas pequenas mãos não gostavam desse calor

Quando chegávamos à paragem seguinte

Dava-me sempre um beijinho

E ao seu filho me entregava

Era um grande contador de histórias

Não das da gata Borralheira

Mas deliciosas histórias inventadas por ele

À mesa lá em casa e em família

Comíamos boa carne de caça

Boas sopas alimentícias

Peixe e carne igualmente cozinhadas pela minha Avó

Meu avô era aventureiro moderno e sempre actual

Um dia já eu tinha 16 anos

Resolveu experimentar andar na minha motorizada

Ambos riamos à gargalhada estava a ser uma festa

De tal modo nos fizemos notados

Que minha Avó apareceu de vassoura no ar

Gritando para ambos

Oh José e Marcolino parem com isso

É mais maluco o velho do que o neto

Deus vos dê juízo até à hora da vossa morte

Quando o meu Avô José faleceu

Dentro de mim ficaram gratas recordações

 

© M. Osorio

 - Peregrino -

  2012-03-06

publicado por Marcolino Duarte Osorio às 04:23
sinto-me: feliz com este meu avô!

03
Mar 12

 

Esta manhã acordei sonhador…

 

Esta manhã acordei sonhador

Abri os olhos

Olhei e vi este cristalino Céu azul

Polvilhado de doces nuvens belíssimas

 Vi duas unidas por uma branca escadinha

Logo imaginei minha Alma na mais à mão

Uma vez lá em cima ela olhou a alva escadinha

E por ela subiu degrau a degrau

Lá bem para cima

Em busca de novos Rumos

Que a levassem poder sonhar mais alto

Mal pousou na Nuvem mais elevada

Senti-a sonhar lá de cima cá para baixo

Desejando ver dentro de cada um de nós

Seres Maravilhosos

Seres Descomprometidos

Seres Humildemente Humanos

Seres Solidários

Seres de Partilha

Seres de Amor Universal

Seres irmanados na Fraternidade

Seres sempre Unidos

Seres de Mãos dadas pelo Bem Comum

Esta manhã acordei sonhador…

 

© M. Osorio

 - Peregrino -

  2012-03-03

publicado por Marcolino Duarte Osorio às 19:15
sinto-me: fraternal!

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