22
Dez 09

O Menino a quem mataram o seu Avô!

 
Confesso que estaria sem tema para hoje, caso não tivesse estado presente numa festa de Natal para crianças.
 
Fui lá, a pedido de um grande Amigo, que está proibido de ver, e contactar, com o seu netito.
 
Levei-lhe umas prendinhas, como se minhas fossem. Levei-lhe carinhos e afectos meus, como se do seu avô fossem!
 
A dada altura este menino, veio ter comigo e perguntou-me se eu não tinha visto o seu avô Marcus. Surpreendido com a sua pergunta fiz-me desentendido e peguei-lhe numa das suas mãozitas e coloquei-a entre as minhas.
 
Fi-lo ver que eu era apenas um amigo daquelas crianças todas. Que a todas elas dedicava o meu carinho e a minha boa disposição mas, naquele dia, vi-me a comprar os dois presentes que lhe havia entregue porque, como avô, também desejava vê-lo muito feliz com prendinhas dos avós, como todos os outros meninos ali daquela Escolinha, estavam.
 
Pedi-lhe para que me falasse deste seu avô.
 
Respondeu-me que era de muito longe, que o tinha visto duas vezes, mas depois deram-lhe a saber que aquele avô tinha morrido, como acontecera ao outro avô, pai do sei pai.
 
Olhando minhas duas mãos, acariciando-as uma a uma, com as suas pequenitas e doces mãos disse-me: Ele era como tu. Tinha as mãos muito grandes e assim peludas, e também não tinha anéis, como tu também não usas.
 
Olha, Gonçalito, não fiques triste porque Deus já levou o teu Avozinho. Ele há tantos meninos que já ficaram sem os seus avós, mas são muito felizes à mesma, como se os nunca tivessem perdido.
 
Oh senhor, oh senhor Peregrino, eras capaz de me pegar ao colo como fazia o meu avô Marcus?
 
Olha, eu já estou muito velhote e as minhas forças não são iguais às do teu avozinho Marcus. Mas olha, dá-me a tua mão e vamos dar uma volta pelo jardim desta escolinha.
 
Sentamo-nos num dos bancos do jardim. Estava frio, mas não chovia. Olhei-lhe aquele lindo rosto calmo, sereníssimo e bondoso, enfeitado por dois lindos olhitos, muito meigos, tal-qualmente são os olhos do seu «falecido» avô, e quedamo-nos em amena conversa até nos virem chamar para o lanche.
 
À saída pediu-me que voltasse no dia seguinte para lhe contar as minhas aventuras, feitas de historinhas, com dois animais: Um cãozinho e um gatinho.
 
Respondi-lhe que sim, caso os meus velhos ossos assim mo permitissem, pois já estavam muito cansadotes para aguentar tanto frio.
 
Dissemo-nos adeus com abas as mãos. Ao sair pelo portão, olhei para trás, e lá estava ele, de ar muitíssimo ausente, já à espera do tal avô de empréstimo, em que me havia tornado, a seu desejo!
 
Gonçalito, até um dia destes, talvez quando os dias estiverem mais de feição, o sol mais quente, e os corações menos duros.
 
Um beijinho para ti!
 
 Marcolino Duarte Osório
- Peregrino -
2009-12-22
 
publicado por Marcolino Duarte Osorio às 10:24
sinto-me: Feliz Natal, Gonçalinho!

Marcolino:
Lindo testemunho de vida, que emociona e faz pensar neste lado que o Natal também nos traz...
A forma como fala dos seus amigos e a lealdade que lhes endereça são um exemplo para mim, acredite-me.
Gostei especialmente do último parágrafo, diz muito de si.
Abraço e desjeo que esta quadra lhe traga oque mais goste ou sonhe...
Quem sabe, não dizem que este é um tempo de magia?
Abraço grande
Marta M
Marta M a 22 de Dezembro de 2009 às 20:20

Olá Marta!
Grato pelo seu comentário. Na realidade esta história é verdadeira, e não foi emendada.
Faço votos para que este meu velho amigo Marcus veja, dentro em breve, a sua odisseia passada. É um bom e santo homem, com uma capacidade de aceitação invulgar. Bem merece mais paz na sua vida!
Pelo Natal acontecem muitas coisas. Umas boas, mas outras menos, mas ainda há quem acredite na Magia desta quadra natalicia.
Boas Festas para si
Abraço grande
Marcolino

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