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Em 1969...

 
Tinha eu 27 anos, resolvi rumar até à Península Ibérica, deixando para trás a minha terra natal, Angola, para reiniciar uma nova vida, arranjando trabalho, quiçá posteriormente constituir família, mal estivesse contratado definitivamente, na firma onde havia ingressado. Isso aconteceu, quase de imediato, pelo menos comigo, logo após o segundo mês de experiência profissional.
 
Quanto a constituir família, o Destino reservou-a para muito mais tarde. Três anos depois já estava nesta casa, em finais de Outubro de 1972, e em Março de 1973 aqui vivia casado.
 
Em Angola, tinha os meus bens materiais, não muitos, mas tinha-os. Resolvi vende-los. Por imperativos profissionais, tinha o curso de Mergulhador Profissional, existia assim, um vasto equipamento de mergulho.
 
Seleccionei, criteriosamente, o que era para vender, o que era para trazer para Portugal e para oferecer a alguém, um belíssimo Fato de Mergulho, prenda conjunta, de alguns amigos americanos, quando terminei o meu Curso de Mergulhador Profissional, numa Academia da Florida, nos Estados Unidos da América, em 1967, financiado, na totalidade, pela empresa Brown & Root, onde trabalhei perto de 4 anos, depois de ter cumprido o Serviço Militar obrigatório.
 
Mirei e remirei o fato sem saber a quem o oferecer. Era um fato de mergulho, para águas bastante frias.
 
Nessa mesma semana, encontrei um velho Amigo, e companheiro de Mergulho em Apneia, que me confidenciou ter estragado, nas rochas, o seu único fato de mergulho. Naquela altura, ele estava sem dinheiro suficiente, para o mandar reparar, ou comprar um novo.
 
Por minha sugestão, metemo-nos a caminho da minha casa e aí lho mostrei, e, quase de imediato, lho ofereci. Assentava-lhe como uma luva pois tínhamos ambos a mesma altura e uma constituição física muito similar.
 
Dias mais tarde saí de Angola, a bordo do paquete Uíge, e nunca mais tivemos noticias um do outro. Ele já era Eng.º Informático da I.B.M. e, volta e meia, era destacado para onde fosse necessária a sua presença, em qualquer país, em qualquer continente. Por vezes estávamos longas temporadas sem nos vermos.
 
Vinte anos passados, ou seja, em 1987, numa confraternização de antigos conterrâneos, aqui em Lisboa, alguém me anunciou que ele estava presente naquela festa. Fiquei contentíssimo e fui a sua procura.
 
Identifiquei-o de imediato, num restrito grupo de velhos amigos, toquei-lhe num dos ombros e chamei-o pelo nome que era usual chamar-lhe desde nenés.
 
Virou-se muito lentamente, muito pálido, e exclamou: - Mas, és mesmo tu? Afinal não morreste?!
 
Caímos nos braços um do outro, olhos marejados,num velho e forte abraço.
 
Refeito da minha «aparição», ressuscitado, em carne e osso, lá me contou que alguns anos antes lhe haviam confidenciado que eu havia morrido com um ataque cardíaco e, cada vez que usava aquele fato de mergulho, dizia a quem não sabia, que havia pertencido a alguém, muito seu amigo e que já não estava no Mundo dos Vivos.
 
Confirmei-lhe que cerca de 5 anos antes havia tido um problema cardíaco bastante forte, e de tal forma o foi, que estive longas semanas internado em Cardiologia, no Hospital de Santa Maria. Nessa altura, recordo-me vagamente, que muita gente, entre amigos e vizinhos, havia pensado que eu havia morrido, e trataram logo de acrescentar um ponto ao acontecido para «fabricar», convenientemente, o seu «havia pensado»...!
 
Eu e este meu velho Amigo, obesos sessentões, jamais deixamos de nos contactar, quer pelo telefone, quer pessoalmente, e quando o tempo livre de ambos coincide, há sempre dois minutos para conversarmos pessoalmente.
 
Vem isto a propósito das falsas notícias e das calúnias, postas a circular, ora de boca em boca, ora na Comunicação Social, ou ainda em sites e blogues particulares, alguns mistos, pertencentes a grandes lóbis da Comunicação Social.
 
Se o vulgar Cidadão, se os Políticos do nosso País, se grande parte dos Jornalistas são vilipendiados, pelo «havia pensado», de terceiros, que nunca conheceram nas suas vidas particulares, e profissionais, singelamente me pergunto, mas quem sou eu, para me importunar se, alguém do meu desconhecimento, e sem a minha concordância, se resolvesse matar o seu tempo livre, enveredando pelo seu destruidor «havia pensado», dando-o como certo à luz do dia, pela insistência «convincente».
 
Mas, assim como, quem é destruído desta forma grotesca, tem a liberdade, o dever, e o direito de poder usar, humanamente, e constitucionalmente, o seu bom nome, liberto de calúnias, e mentiras, também, quem destrói terceiros, tem a liberdade, e o direito de insultar, e de destruir, quem mais lhe aprouver, a soldo de terceiros ou a seu belo prazer.
 
Chama-se a isto, usufruir os tais Plenos Direitos Cívicos, ao Viver-se em Plena Democracia!
 
Marcolino Duarte Osório
- Peregrino -
2009-05-07
 
publicado por Marcolino Duarte Osorio às 06:04

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