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Mai 10

O Dia da minha Mãe...

 

No meu colo morreste

Sei cá quantos anos já passaram

Muito mais que se possa imaginar

Para lá de quatro décadas

Era eu ainda muito jovem

Pleno de sonhos realizáveis

Quando respondias a uma carta minha

Carta que nunca chegaste acabar

Ainda a tenho comigo

Diálogos abertos entre nós dois

Dos anseios

Dos sonhos

Das esperanças

Das realizações

Foste para a cama deitar-te

Tarde como sempre

Era durante a noite que mais te inspiravas

Mas cheia de dores de cabeça

Dois dias depois falecias de madrugada

Vitimada por um aneurisma cerebral

Em meu colo tua cabeça repousavas

Quando te resolveste partir

Num profundo e longo suspiro

Para aquele nosso Mundo Invisível

Que tanto acreditávamos

Nunca consegui chorar

Nem de tristeza

Nem de raiva

Nem de desânimo

Nem de perca

Nem de saudade

Recusei vestir-me de negro

Porque de profundo luto ficou minh’ Alma

Lembras-te

Como desejavas tanto ser uma Avó Moderna

Com tempo para os netos

Como quanto tempo tiveste para os filhos

Como só tiveste rapazes

Era teu sonho seres Avó de muitas meninas

Laçarotes

Trancinhas

Vestidinhos aos folhinhos

Mas Deus não te concedeu essa Benesse

Porque o tempo do Tempo do teu Tempo

Havia chegado ao seu final

Mas deixa lá

Que o teu viúvo

Aquele teu Grande Amor

O teu eterno namorado

Se deliciou com quatro lindas netinhas

E um rapaz bem-parecido como o seu Avô

Cumpriu à risca o seu papel

O de um Avô modernaço

Mas muitíssimo inteligente

Quando saía com todos os netos

Muito compenetrados

No seu papel de guardiões ao Avô

Sempre de olho nele...

Era uma grande alegria

Vê-los a todos muito reinadios

Tal-qualmente tu tanto foste connosco

Sabes Mãe

Desejava-te ainda ter por perto

Terias a linda idade de 92 anitos

De certeza absoluta que andavas pela nete

Com muitissimos pen pal

Curtirias bué os fashion facebookianos

Em vez de jogares à Canasta

Brincavas ao Farmville

Escreverias as tuas histórias interventivas

E agora ainda há tantas

Continuam a existir

Meninos abandonados

Meninos esfomeados

Meninos amputados

Meninos órfãos com Pais Vivos

Meninos sem os Avós ainda em vida

Meninos ensinados a odiar os Pais

Meninos ensinados a odiar as Mães

Em fim Mãezinha

Do teu tempo para agora

Nada mudou sobre tudo o que escreveste

E dizia-nos inúmeras vezes

A Vida Humana e o Respeito que lhe devemos

Olha Mãezinha

Por hoje esta já vai longa

Como as velhas cartas que curtiamos os dois

Porque aqui me quedarei

Para ti

Uma beijoca das nossas

Repenicada como os dois fazíamos

E até para o ano

Por aqui

Se até lá me for dada ordem por Deus

 

Marcolino Duarte Osório

- Peregrino -

2010-05-01

 

publicado por Marcolino Duarte Osorio às 00:57
sinto-me: beijo grande Mãezita...!

Marcolino:
Linda homenagem à sua mãe..
Todos amamos as nossas de uma forma profunda, mas alguns têm a sorte de ter mães que são também pessoas muito especias.
Quando se juntam estas duas circunstâncias, então é uma benção.
Parece-me que no seu caso, ocorreu exactamente isso.
Parabéns e obrigada por nos contar. Sei que existem, mas saber no concreto, ajuda a continuara acreditar todos os dias...
Abraço e bom Domingo
Marta M
Marta M a 1 de Maio de 2010 às 11:26

Olá Marta!
Obrigadinho pela sua visita e pelos seus comentários!
Na realidade, minha Mãe, foi-o por inteiro, a tempo inteiro, sem descurar todas as outras actividades sociais, a que esteve sempre ligada, e dedicada.
Um Dia da Mãe feliz, para si, na companhia de quem mais ama!
Abraço
Marcolino
©Marcolino Duarte Osorio a 2 de Maio de 2010 às 11:09

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