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Jul 10

Crimes Perfeitos...

 

Rocambolesco

Mas não é

É uma forma encapotada

De se matar alguém

Familiar principalmente

Quando este

É abandonado à sua sorte

Numa fase da sua vida terrena

Em que certos descendentes

Se eximem

De lhe prestar assistência

Quer de afetos

Quer económica

Deixando esse alguém

Na indigência

A Deus dará

Votado ao abandono

Esse alguém

Um dia aparece morto

Fulminado por um ataque cardíaco

Os médicos legistas

Relatam na autópsia a causa da morte

Esquivando-se sagazmente

Unilateralmente

Do mal que causou a morte desse alguém

A um Ser Velho

Abandonado à sua sorte

Morto pelos descendentes

Por falta da devida assistência

Irei prestar a minha última homenagem

Amanhã de manhã

Onde será cremado

No cemitério dos Olivais

Sei

Que por lá encontrarei

Alguns dos seus descendentes

Que o assassinaram...!

Que lhes direi eu amanhã...?

Nada de nada

Meus queridos Amigos

Dar-lhes-ei aquele fraternal abraço

De condolências

Do jogo social do Faz de Conta

Engrossarei assim as fileiras

Das gentes assassinas

Com a conivência do meu silêncio

E as Autoridades

Civis

Religiosas

Que dirão

Nada de nada meus Queridos Amigos

Só porque este género de ato

Nunca foi nem será considerado crime

(...)

Como sou um Homem Feliz

Porque meus descendentes

Jamais seriam capazes

Deste gesto horrendo

Para este Crime Perfeito executar

Não por medo

Mas sim por Amor a seu Pai

 

Marcolino Duarte Osório

- Peregrino -

2010-07-25

publicado por Marcolino Duarte Osorio às 23:39
sinto-me: Um ser totalmente Feliz...!

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