24
Set 10

Caixa do Correio...

 

Sempre comparei minha Memória

A uma enorme Caixa do Correio

Onde se guardam a toda a hora

Todos os dias

Uma vida inteira

Vivências já passadas

Numa amálgama de correspondência

Onde se misturam factos ocorridos

Que permanecem nessas datas

Eternamente estáticos

Por terem acontecido

E ficado parados

No Tempo do Tempo do seu Tempo

Pessoas

Cheiros

Coisas

Paisagens

Tudo ficou estático com as mesmas vestes

Tudo se tornou numa miragem já passada

As Pessoas modificaram-se ou morreram

Os Cheiros dissiparam-se

As Coisas Alteraram-se ou Desapareceram

As belas Paisagens deixaram de ser belas

Porque Nada se Perde nem Nada se Cria

Tudo se Transforma

Percorri minhas memórias uma a uma

Resolvi desfazer-me de todas elas

Mas não era capaz

Havia sempre alguma boa ou má

Que como com as velhas revistas faço

Ainda tinha algo que se aproveitasse

E esta Caixa do Correio

Transformada em Baú de Recordações

Ou mesmo restos delas muito mal aproveitados

Não havia meio de ficar limpa

Não havia meio de ficar leve

Não havia meio de deixar de pesar no meu Presente

Um dia acordei predisposto a limpar as Recordações

Custou mas foi

Fi-lo com a inteligência dos Desinibidos e Decididos

Sem a sensação de Perca quiçá de Pecado à mistura

A minha Caixa do Correio ficou completamente vazia

Minhas costas se endireitaram

O dia-a-dia sabe-me melhor que nunca

Sem Perfumes nem Travos amargos do Passado

Nem os fantasmas parados no Tempo da minha Memória

De Pessoas

De Cheiros

De Coisas

De Paisagens

Para Viver inteiramente cada Dia como Deus quer que o faça...!

 

Marcolino Duarte Osório

- Peregrino -

2010-09-24

publicado por Marcolino Duarte Osorio às 13:54
sinto-me: de coração pleno...!!!

Setembro 2010
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9
10
11

12
14
15
17
18

19
20
21
22
23
25

26
27
28
30


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

mais sobre mim
pesquisar
 
blogs SAPO