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Fev 11

Imagens recolhidas na Internete

 

Opções de Vida...

 

Aconteceu que, um dia do meu passado, nem recente, nem longínquo, resolvi não escravizar as minhas filhas, optando por viver sozinho, sem aquelas ajudas extras que só elas me saberiam dar, refiro-me aos afetos e aos miminhos...!

 

Além dos afetos e dos miminhos, que mais me poderiam proporcionar?!

 

A sua companhia? Se não estivessem afazeres profissionais seria um caos diabólico, tê-las sempre a meu lado, como se fossem animais de estimação...!

 

Tratarem de mim, quando ainda sou autónomo e independente? Seria o cúmulo de uma exigência esclavagista por parte de quem nunca desejou ser escravizado...!

E..., quando chegar a altura de ter que optar pela assistência de terceiros, então recorrerei aos Serviços especializados, de Organizações Filantrópicas, dedicadas ao apoio domiciliário, às pessoas que estão a viver sozinhas.

 

Ah, mas assim vives em solidão, argumentarão todos aqueles que me leem!

Se observarmos bem as coisas, intelectualmente estou sempre ocupado como nos ensinam as boas regras sanitárias, para se retardarem os efeitos Alzheimer.

Gosto de ler, quem como eu, também gosta de escrever na Internet sem estar atado, nem atido, aos rodriguinhos da língua portuguesa, mas que gosta de se fazer entender, passar com simplicidade, em poucas palavras, a positividade da sua experiencia de vida, para que outros, possam olhar-se bem melhor, sair do casulo dos seus medos, daquilo a que sempre chamei, de socialmente incorreto...!

 

Gosto de sair à rua, olhar tudo aquilo que me rodeia, como quem olha um lindo Ser Humano, que gosta de se cuidar, por se sentir bem assim!

 

Gosto de usar a minha maquineta de fotografia digital porque, a maioria das vezes, deparo com coisas diferentes, que me chamam à realidade de tudo aquilo que me rodeia, me desperta aquele saboroso prazer, de poder fixar em imagens, certas nuances da Mãe Natureza, publica-las, sem fins lucrativos, pela pura alegria de antever, o prazer de outros, que olharão as fotografias, saboreando-as, despertando, em todos eles, a vontade de fazer igual, ou mesmo bem melhor...!

 

Gosto de tratar de mim. Gosto de me mimar, comprando algo, de acordo com a minha bolsa, que me possa fazer sentir retumbante, nem que seja uma flor, colhida na berma do caminho de casa!

Gosto de usar roupas largas, nunca desejei sentir-me espartilhado.

Gosto de caminhar.

Gosto de escrever.

Gosto de fotografar.

Gosto de palrar.

Gosto de cumprimentar, quem re-encontro, nas minhas caminhadas diários.

Gosto de olhar uma criança de colo.

Gosto de observar os jovens, recordar-me de que também o fui, mas demasiado contido, em relação à atualidade, porque era assim naquela altura.

Gosto de cozinhar os meus pratos favoritos, e quando faço a mais, gosto de os partilhar com os vizinhos mais chegados.

Gosto de olhar uma bonita mulher, bem feita, mais nova que eu, pensar para com os meus botões, que se fosse mais novo, não hesitaria em namorar com ela, até me fartar, nem que fosse por um dia...

Gosto de poder não gostar, mas gosto bem mais de gostar com prazer!

 

A minha Vida nunca foi Solidão, porque sempre me deliciei, com este meu doce dom, de poder estar assim na Vida, sem me desligar de tudo, de todos aqueles, da minha estima, a quem telefono com regularidade, com quem converso, em certas e determinadas tertúlias.

 

Nunca nutri indiferença pelo meu semelhante, pelos vizinhos, pelos companheiros de jornada, pelos amigos, pelos filhos, pela mãe das minhas filhas; importante, acima de tudo, é que haja reciprocidade.

 

Se esse estado de alma não existir, então há que os entender, sem os recriminar, porque será com o meu exemplo, que os farei saltar da sua indiferença, para se sentirem positivos, para poderem fazer-se sentir bem mais felizes, quiçá transmitir, aos que os rodeiam, essa tal Felicidade.

 

Jamais gostei de saber de alguém, naquilo que, por motivos obviamente sãos, nunca me interessou saber.

 

Opções de Vida, sem nos negativarmos, deveria ser ensinado, desde o berço, como se ensina a utilizar o prato, a colher, o garfo, e a faca, para comer, sem sujar as mãos, nem as pontas dos dedos...!

 

Marcolino Duarte Osório 

- Peregrino -

2011-02-17

publicado por Marcolino Duarte Osorio às 12:15
sinto-me: feliz assim...!!!

Marcolino:
Este seu post (salvo algumas passagens pontuais e pessoais) deveria ser subscrito e lido por muita gente..
Na minha família alargada deveria ser alvo de análise e reflexão...
Obrigada por dizer as palavras que nos fazem falta escutar.
Espero um dia sentir-me assim, com essa paz e essa autonomia pessoal, e com esses afectos familiares e outros, tão saudáveis..
:)
Abraço
Marta M
Marta M a 17 de Fevereiro de 2011 às 13:35

Amigo Marcolino, OBRIGADO por este texto tão intimista e tão profundo. E parabéns pela capacidade, serenidade, verdade e brandura com que vive a vida que lhe pertence, que é sua, que é o que há em si e por si.
Obrigado por fazer parte desta minha "rede de amigos" e por todas as palavras belas que me vai deixando. E, novamente, obrigado por da sua vida fazer um hino - o seu hino.
Um bom fim-de-semana.
Com afecto e um abraço,
João Nuno
João Nuno a 18 de Fevereiro de 2011 às 02:25

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