16
Mai 12

 

Silencio…

 

Silencio

Arma mortífera

Para quem assim Mata

Jamais deseje assim Morrer

Com o Silencio se pratica a Eutanásia

Negando remédios a quem deles necessita

Com o Silencio se condena à Fome

Negando alimentos a quem os pede humildemente

Com o Silêncio quantos condenaram já seus Pais

A uma Morte que poderia ser evitada

Com o Silêncio se morre de olhos esbugalhados

Corpos minados pela Doença

Corpos enfraquecidos pela Fome

Corpos desenlaçados das suas Almas

Corpos exalando cheiros dos abandonos putrefactos

Silencio

Arma mortífera

Para quem assim Mata

Jamais deseje assim Morrer

 

© M. Osorio

 - Peregrino -

  2012-05-16

publicado por Marcolino Duarte Osorio às 00:43
sinto-me: a proibir todos os silencios!

12
Mar 12

 

O meu Avô Duarte…

 

O meu Avô Duarte

Foi um Avô que me encantou

Não porque brincasse comigo

Mas sim pela sua humanidade

Foi sempre um homem reservado

Desenhador e Topógrafo de profissão

Depois do trabalho quando chegava a casa

Ao final da tarde

Sentava-se num cómodo banco

Em frente ao seu cavalete

Onde dava largas à sua Arte

Pintando sobre telas

O Amor com via o Mundo em seu redor

Quando o visitava ao final das tardes angolanas

Entrava em silêncio para o saudar

Trocavamos nossos olhares de satisfação

Recebia dele como recompensa

Uma pincelada a óleo na ponta do meu narizito

Nunca perguntei o que estaria a pintar

Porque as suas pinceladas eram tão perfeitas

Que falavam aos meus cinco sentidos

Pintava a óleo

Pintava a Pastel

Pintava a Aguarela

Desenhava a Carvão

Cedo de mais enviuvou

Escolheu vir viver connosco para não se sentir tão só

Foi nessa altura que deixou de pintar

Porque a dona Celeste musa inspiradora

Da sua Vida se apartou

A tristeza apossou-se dele

Em vez de colorir telas

Passou a ler em silêncio no seu cantinho

Fumando cigarros sobre cigarros

Olhando da nossa varanda o mar em frente

Até à linha do horizonte

Onde os rubros do Sol Angolano o saudavam

Para que despertasse da sua letargia

Para que secasse as lágrimas da tristeza infinda

Que lhe corriam faces abaixo

À espera de partir para junto da sua amada

Depressa partiu para junto dela

Alguns netos e bisnetos dele herdaram

O Património invisível da sua Arte

A Arte de reproduzir com Amor

Tudo quanto os olhos consigam abarcar

É com orgulho temperado que nos recordamos dele

Porque apesar de ser de poucas falas

Suas Obras a Óleo Pastel Carvões e Aguarelas

Falarão connosco gerações infindas

 

© M. Osorio

 - Peregrino -

  2012-03-12

publicado por Marcolino Duarte Osorio às 12:25
sinto-me: com saudades de ti Avô Duarte!

06
Mar 12

 

O meu Avô José…

 

O meu Avô José

Era um homem muito grande

Era um homem de mãos enormes

Mão calejadas de Maquinista

Quando em mim pegava ao colo

Sentia-me seguro

Lá de muito alto da sua altura

Eu olhava tudo de lá cima cá para baixo

O que me fazia sentir ainda mais igual a ele

O meu avô era muito forte

Ele era possante

Tinha muita força mas era sempre meigo

Quando podia viajar com ele

Entre duas estações a meio da viagem

Meu pai levava-me até à grande locomotiva

Para aí

Ao colo do meu Grande Avô

Me deliciar com as paisagens africanas

Apanhar na carita aquele ar fresco da manhã

Contrastante com o calor abrasador da locomotiva

Olhar a medo quando a enorme porta da fornalha

Era aberta para ser abastecida de lenha

Lá de dentro saíam fagulhas e uma grande luz alaranjada

O calor era enorme

Os ferros da locomotiva estavam tão quentes

Que minhas pequenas mãos não gostavam desse calor

Quando chegávamos à paragem seguinte

Dava-me sempre um beijinho

E ao seu filho me entregava

Era um grande contador de histórias

Não das da gata Borralheira

Mas deliciosas histórias inventadas por ele

À mesa lá em casa e em família

Comíamos boa carne de caça

Boas sopas alimentícias

Peixe e carne igualmente cozinhadas pela minha Avó

Meu avô era aventureiro moderno e sempre actual

Um dia já eu tinha 16 anos

Resolveu experimentar andar na minha motorizada

Ambos riamos à gargalhada estava a ser uma festa

De tal modo nos fizemos notados

Que minha Avó apareceu de vassoura no ar

Gritando para ambos

Oh José e Marcolino parem com isso

É mais maluco o velho do que o neto

Deus vos dê juízo até à hora da vossa morte

Quando o meu Avô José faleceu

Dentro de mim ficaram gratas recordações

 

© M. Osorio

 - Peregrino -

  2012-03-06

publicado por Marcolino Duarte Osorio às 04:23
sinto-me: feliz com este meu avô!

05
Set 11

 

Um Detetive enganado...

 

Um detetive enganado, é uma ingrata recordação, que ficou presa nas suas memórias até que um dia, para se libertar de tão desgastante segredo, guardado há mais de 12 anos, resolveu procurar-me para desabafar, para se libertar de alguém a quem havia sido fiel, por amor, por convicção, mas dessa mulher havia recebido um rude golpe com a sua infidelidade.

 

Um dia, do seu longo passado, ficou estupefacto quando a sua mulher chegou demasiado tarde a casa sem avisar de que isso iria acontecer. Ela chegou descontraída, satisfeita da vida, como se tivesse sido premiada com o totoloto.

 

Como sempre, como há meses vinha acontecendo, desde que ela havia determinado acabar com o casamento entre ambos, cumprimentou-o com um olá, sem o beijar, à distância, não fazendo o mesmo, à sua  filha mais nova, ainda a pé, grudada no TV da sala.

 

Ele tentou ser simpático, mas quando a olhou de frente, olhos nos olhos, teve um sobressalto, com a radiosidade do olhar dela, com a cor dos seus olhos, que era aquela que só ele pensava conhecer bem, quando faziam amor...

 

Sentiu-se implodir interiormente, mas, de imediato, reagiu com serenidade máxima, como todo o corno manso deve reagir, juntando alguma ironia, olhando-a de frente, referindo-se a esse facto, com profunda argúcia. Ela sentiu-se apanhada. Reagiu incomodada, argumentando que era ilusão de ótica. Ele sorriu-se, e respondeu que a sua verdade escondida, um dia viria à luz dos seus quotidianos.

 

Depois disso apenas se limitou a despreocupar-se com as chegadas tardias dela, muito para além dos horários usuais, da sua profissão de professora.

 

Uma bela tarde ele recebeu um telefonema de uma mulher que desejava contratá-lo para confirmar que o seu marido lhe era infiel.

 

Foi a casa daquela cliente que lhe facultou os dados necessários para investigação.

 

Mais à noite lá se postou ele num dos locais indicados. Foi dar uma volta a pé pelo pequeno parque de estacionamento para averiguar se o carro do marido da sua cliente ali estava estacionado. Sim, estava lá, mas mesmo ao lado estava o carro da sua mulher. Sem perder o sangue frio colocou-se dentro da sua viatura para observar o que ali iria ser revelado.

 

Quase uma hora depois vê ambos chegar às viaturas e, descontraidamente, trocarem um beijo intimo, pleno de cumplicidade, de quem já se soltou, já se despediu de inibições, sexualmente falando.

 

Não foi necessário investigar muito mais. Dias depois, este meu amigo de infância, entregou a sua cliente todos os dados pedidos por ela, além da confirmação da informação, de que o seu estimado marido, lhe vinha sendo infiel, sem revelar que a senhora era sua mulher, mãe das suas filhas.

 

Semanas mais tarde a mulher deste detetive, meu amigo, resolveu pedir tréguas ao seu marido. Mas, ou por orgulho ferido, ou por medo, em vez de entrar na cama partilhada por ambos, para fazerem as pazes, preferiu, com muito pouca inteligência, tentar apanhá-lo descuidado, para o amolecer. Ele, sabendo da sua manha, resolveu ficar quedo e mudo.

 

Ambos se divorciaram amigavelmente. Até agora, ela ficou sem saber se ele saberia de alguma coisa.

 

Neste momento, sabendo que ela me lê com regularidade, e com a devida autorização do pai das suas duas filhas, resolvi dar-lhe a saber, com esta passagem das suas vidas reais, que ele sempre soube que ela lhe era infiel, com quem foi, mas por índole, desejou saber estar na vida, sem reagir abruptamente, quer por vingança, quer por ego ferido, interpretando na integra, calmamente, a partitura dos apelidados Cornos Mansos...!

 

Marcolino Duarte Osório

- Peregrino -

2011-09-05

publicado por Marcolino Duarte Osorio às 04:11
sinto-me: a ajudar um velho Amigo!

14
Jul 11

 

Amanheceu assim...

 

Amanheceu assim

No dia do meu aniversário

Amanheceu lindíssimo

Tal como desejava que o dia fosse

Mas com o passar das horas

Muita coisa linda e boa aconteceu

Os telefonemas eram mais de mil

As alegres parabenizações sucediam-se

Quase fiquei sem carga na bateria do telemóvel

À noite quando liguei este computador

Fi-lo para olhar certos e-mail's

Depois entrei no Facebook

Onde uma enchente de presenças amigas diárias

Me davam a saber que todos sem exceções

Me estimavam e se sentiam bem comigo

Fiquei comovido com esta manifestação de afetos

Deu para repensar a minha vida futura

Deu para atirar borda fora

Todos os Fantasmas do meu Passado

Que ainda moravam dentro de mim

Amanheceu assim

No dia deste meu aniversário

Em que Deus me deu a saber quão amado sempre fui

Por Amigos

Por Conhecidos

Por Familiares

Amanheceu assim

No dia do meu aniversário

 

Marcolino Duarte Osório

- Peregrino -

2011-07-14

publicado por Marcolino Duarte Osorio às 07:10
sinto-me: pleno de Felicidade...!!!

16
Jan 11

 

Ao folhear minhas memórias...

 

Dei com esta fotografia

De um Templo daqueles tempos

Já passados

Eu e a minha filhotinha mais nova

Reguilita como só ela

Crescia em afetos comigo

Desafiava-me sempre que lhe apetecia

Corria à minha frente

Rindo alto de felicidade constante

Sempre tivemos um segredo mútuo

Falávamos em silencio um com o outro

Bastava-nos trocarmos olhares

Sabíamos aquilo que queríamos

Como estás bem longe

Resolvi fazer este post

Alusivo ao nosso anterior Tempo

Daquele Tempo

Do Tempo dos nossos tempos já idos

De uma das páginas das nossas memórias

 

Marcolino Duarte Osório 

- Peregrino -

2011-01-16

publicado por Marcolino Duarte Osorio às 01:14
sinto-me: que te amo cada vez mais...!

27
Dez 10

 

Mas qual o prazer...

 

Sentido por alguém

Ao desfazer um agregado familiar

Separando os pais dos filhos

Por mais voltas que dê

Jamais conseguirei encontrar a resposta

Mas uma resposta isenta acertada e ajuizada

Falei nisto a Deus

Ele descompôs-me porque o meu desejo de o saber

Era mais para castigar do que para ajudar

Hoje de manhã vi pela TV um re-encontro

Entre um Pai e um Filho desligados um do outro

Por alguém cujo nome não foi revelado

Este jovem com apenas 29 anos

Fez de si um verdadeiro Homem

Ao dizer-nos apenas isto

Se quem fez tudo por tudo para nos separar

Perdeu esta sua guerra sem tréguas

Que tal como todas as guerras

Em todos deixa marcas profundas

Das longas noites plenas de insónias

Nos Filhos separados dos Pais

Nos Pais separados dos Filhos

Cada qual silenciando dentro de si

O grande apelo de se voltarem a reunir em Família

Com medos infundados de que quem os fez separar

Os possa retaliar

Mas como sempre ouvi dizer

Não há bem que sempre dure

Nem mal que perdure

Quando se perde uma Guerra

Quem a vence

Tem por dever e obrigação Cristã

Tratar com Grande Humildade todos os Vencidos

Nunca por nunca retribuir com maldades

Todas as maldades nas suas peles sofridas

Porque esse foi sempre o Lema de um Deus feito de Amor

 

Marcolino Duarte Osório

- Peregrino -

2010-12-27

publicado por Marcolino Duarte Osorio às 13:36
sinto-me: a unir certas familias...!!!

28
Nov 10

 

 

Avôzinho...porque não festejas o Natal...

 

Ele olhou bem fundo nos olhitos redondos

Deste seu netito

Tão iguais aos seus com a mesmissima idade

Suspirou e disse-lhe complacente

Olha meu querido

Quando teus avós nasceram

Esta data

Não era sequer considerada

Como a do Natal atual

Era outra coisa sem festa

Era mais um dia do ano

Era mais uma folha do calendário

Os teus avós a isso se habituaram

Depois veio um Papa

Todo lampeiro

Aqui d'el Rei

Temos de mudar de data

Deste atual Natal

Porque esta gente materialista

Matou tudo tudo dos pés à cabeça

Materializando-o

Esquecendo-se que o Natal é Espiritualidade

Que deveria ser uma celebração da Familia

Vivido em Comunhão Espiritual 

De todos e com todos os da mesma Familia

Transformou-o numa feira de trocas

Onde abundam as ofertas ricas

Porque até dá muito menos trabalho

E estas prendas caras

Até se podem pagar a prestações

Onde quem pode comprar dá aquilo que deseja

E quem não pode comprar fica-se pela sua presença

Sentindo-se envergonhado na sua pobreza

E o dar Afetos ninguém os vê

Porque estes tais de Afectos já ninguém os usa

Vulgarizaram-se e deixaram de ser dados

Quem os tenta transmitir torna-se ridiculo

Por se cultivar o Mundo dos Desafetos

Quando mudaram o Natal para 25 de Dezembro

Este teu avozinho muito triste ficou

Ficaste triste Avozinho..porquê...

Olha meu querido netinho

Esta festividade apenas mudou de data

Porque as pessoas e as suas cegueiras

Continuaram a ser as mesmas...

 

Marcolino Duarte Osório

- Peregrino -

2010-11-28

publicado por Marcolino Duarte Osorio às 07:32
sinto-me: à espera deste milagre...!

23
Jan 10

Saber estar na Vida...

 
Ele foi rejeitado
Por Amigos e Família
Passou a viver isolado
Sem ter alguém
Que dele se interessasse
Foram anos de ruína
Foram anos de dissabores
Foram anos de isolamento
Foram anos de abandono
Um dia
A Sorte bateu-lhe à Porta
Em forma de dinheiro
Tanto e tanto era
Que resolveu manter-se isolado
De todos quanto de si se isolaram
Resolveu mudar de vida
Mudou-se de local e residência
Passou a morar mais a seu gosto
Mais de acordo com a sua fortuna
Um dia
Alguém de um antigamente recente
Lhe perguntou
Se tinha repartido com os filhos
A Fortuna que tinha em mãos
Apenas respondeu ironicamente
Tê-la-ão sim
Mas só depois de eu morrer
Porque quem de mim se apartou
Sem razões aparentes
A mim virá sem a Razão dos Dinheiros
 
Marcolino Duarte Osório
- Peregrino -
2010-01-23
publicado por Marcolino Duarte Osorio às 09:24
sinto-me: Ele há coisas...!

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