13
Mar 13

 

Olho este copo…

 

Olho este copo

Com vontade de o ver cheio

Não de água nem de vinho

Mas sim de muitas moedinhas

Para que ao final deste dia

Ao regressar à minha barraca

Possa comprar uma malga de sopa

Meio pão do Alentejo

E assim aconchegar meu vazio estômago

Passam tantos e tantos por mim

Uns olham-me com nojo

Outros com desdém

Outros apenas me ignoram

Mas entre tantos milhares de passantes

Há sempre uma alma bondosa

Que me acorda da letargia

Lançando para dentro deste copo vazio

Uma pequenina moedinha castanha

Sempre bem-vinda

Sempre bem recebida

Que me faz antever a minha satisfação

De poder tomar uma sopinha

E rilhar pão do Alentejo

 

Marcolino Duarte Osório

          - Peregrino -

          2013-03-13

publicado por Marcolino Duarte Osorio às 11:38
sinto-me: constrangido...!!!

25
Jun 11

 

Encontros...

 

Encontros

Sem data nem horas marcadas

Por vezes acontecem na minha vida

Estava tranquilo da vida

Distraído como sempre

Numa das Catedrais de Consumo de Lisboa

Alguém se colocou à minha frente

Parei

Olhei para o lindo rosto sereno e doce

Escutei que me pedia algo em voz baixa

O senhor dá-me um euro para ir ali comer

Olhando e apontando a zona dos cafés

Fiquei de coração coragem acelerado

Porque aquele sorriso tranquilo e macio

De algum lado indefinido já o conhecia

Entretanto reagi...

Estás sem comer desde quando perguntei

Hoje ainda não almocei estou sem dinheiro

Estás a enfiar-me uma grande tanga ripostei

É verdade ... estou cheia de fome

Abri o meu porta-moedas

Peguei numa nota de cinco euros dobrada a meio

Discretamente passei-lha para as mãos

Surpresa das surpresas como agradecimento

Veio um sereno obrigado e beijou-me as duas faces

Ela era linda e serena

E a pele da sua cansada cara macia como ricas sedas

Desejou-me felicidades

Desejei-lhe boa sorte

Viramos costas um ao outro

Antes de nos afastarmos por completo perguntei-lhe

Você por acaso chama-se Rita...

Olhou para mim serenamente e respondeu

Não ... chamo-me Madalena...

Acenamo-nos adeus com as nossas dextras

Encontros...

  

Marcolino Duarte Osório

- Peregrino -

2011-06-25

publicado por Marcolino Duarte Osorio às 23:25
sinto-me: desejar melhor sorte Madalena

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