21
Jan 10

No meu Jardim Público...

 
Passam todos os seres vivos
Cão e gato sempre à bulha
Policias e ladrões em gincana
Doutores e analfabetos à compita
Qual deles mais Mestrado em insultos
Associações de malfeitores digladiando-se
Casalinhos a namorar nos arbustos
Surpreendidos pelos mirones voyeurs
Pedófilos dando o bote em nenés
Com a morosidade das Leis lá se safam
Pais que abandonam seus filhotes
Para se darem à leveza alcoólica
Pedem ao Papa perdão
Para do calabouço livrarem o coirão
Banqueiros ladrões permanecem impunes
Quem assim roubou na estranja se diverte
Prostitutas andam ansiosas
Que a crise já lhes bateu à porta
Meneiam-se em gestos lânguidos
Para infectar mais um incauto
É assim que vai a vida no meu Jardim Público
Incompleto
Porque Leões Tigres Macacos e Elefantes
Ainda por cá não apareceram
O seu Jardim é bem outro
O tal Jardim Zoológico
Onde já não têm quem deles trate
Nem quem vá às compras por eles
Este meu Jardim Público…
 
Marcolino Duarte Osório
- Peregrino -
2010-01-21
publicado por Marcolino Duarte Osorio às 12:11
sinto-me: Um jardim sem Jardineiro

19
Jan 10

Mas já alguém reparou...

 
Que quem escreve sofre
E é naquilo que escreve
Que estão desmistificados
Todos os seus sofrimentos
Disfarçados em belas imagens
Imagens deslumbrantemente poéticas
Fruto das suas humanas ambições
Para deixarem de sofrer
E se tornarem exemplarmente felizes
Os meus textos mais lidos
Nasceram de punhaladas recebidas
Que me dilaceraram a Alma
Até me arrancarem o coração cansado
Pelas minhas costas
Rasgadas pelas geladas lâminas das Adagas
Habilmente manuseadas por mãos cegas
Mãos de gentes traiçoeiras e impiedosas
Sedentas de me liquidar para sempre
Tanto o meu velho Corpo
Como minha desiludida Alma
E pelo buraco feito com a dolorosa Adaga
Entrarem pelo meu espírito
Para desfazerem impiedosamente
O meu nobre Mar de Afectos
Espezinhando-os um a um
Com escárnio e mal fazer
Afecto a Afecto
Ate se cansarem e morto me julgarem
Mas aquela minha forte velha Fé
Tronco secular da minha Força
Árduamente cultivada por mim
Que me faz reerguer diariamente
Elevar meu Espírito mais alto
Para além dos Céus
A caminho da Luz
Sem nunca me deixar morrer
Para que em cada dia que passa
Minhas provações se tornem menores
Para que a Vitória da Bondade
Seja mais cúmplice comigo
Para que aqueles que me ferirem
Sejam dignos do meu Perdão
 
Marcolino Duarte Osório
- Peregrino -
2010-01-19
publicado por Marcolino Duarte Osorio às 23:57
sinto-me: Feliz por me vencer dia a dia!

18
Jan 10

Para se Crer em Deus...

 
Será que são necessários
Cursos superiores
Mestrados em Teologia
Argumentos
Contra-argumentos
Ou será simplesmente
Uma questão de se Acreditar
Acreditar e aceitar a Vontade d'Ele
Nos nossos dia-a-dia
Acreditar por acreditar
Todos têm essa capacidade
Coisa distinta é
Aceitar de braço dado com o Acreditar
A Vontade d'Ele nos nossos dia-a-dia
São estados de alma insondáveis
Por mais voltas que se lhe dê
 
Marcolino Duarte Osório
- Peregrino -
2010-01-18
publicado por Marcolino Duarte Osorio às 23:49
sinto-me: Com Sol na minha Alma...!
tags:

Sentado à Lareira...

 
De labaredas centelhantes
Com os seus usuais estalidos
É como nos serões gelados faço
Numa produtiva Quinta
De gente minha amiga
Delicio-me aos serões
Serões numa pequena Aldeia
Outonos muito frios
Invernos são de gelo
Primaveras mais amenas
Verões de estalar granitos
Este fim-de-semana
Por eles fui convidado
Cheguei de comboio
A uma cidade dali próxima
Tinha à minha espera
Um dos da Quinta
No seu velho todo-o-terreno
Lá fomos à conversa
Entramos pelo grande portão de carvalho
Estacionamos junto às cortes
Apareceram dois cães guardas
Felizes por me cheirarem
Fiz-lhes as festas do costume
À minha volta na paisagem bucólica
Sobressaíam árvores despidas de folhas
Quase todas
Digamos que a maioria
Eram das de folha caduca
Os esguios ramos já escuros
Como braços estendidas aos Céus
Mãos com dedos bem afastados
Crispados de dor
Suplicando amenidade da bonança
Era já final de dia
O lusco-fusco transformava-se em bréu
Os cheiros da terra húmida eram típicos
Dos estrumes e fumos de pequenas fogueiras
Inspirei bem fundo
Saboreei aquela mescla de perfumes naturais
Abriu-se-me o apetite
Numa grande cozinha de aldeia
Sentados em familia
Ao redor de uma larga e tosca mêsa de madeira
Jantamos Caldo Verde com tora
Sardinhas magras envoltas em broa
Pequenos pedaços de presunto
De sabor apurado pelo vinho tinto
Vinho da última colheita daquela Quinta
Castanhas da casa cozidas na hora
Acompanhadas de Cevada fresca bem quente
Matutava nisto tudo
Meus pensamentos íam-se adormecendo
Senti-me quentinho e amodorrado
Olhei demoradamente o castanho do meu uísque
Pousei o copo na soleira da lareira
Respirei bem fundo
Sentindo dentro de todo o meu ser
Os cheiros dos lumes da ardente lareira
Estiquei-me perguiçosamente tranquilão
Fechei os olhos
Deixei-me embalar pelo crepitar...
 
Marcolino Duarte Osório
- Peregrino -
2010-01-18
publicado por Marcolino Duarte Osorio às 02:57
sinto-me: Num belissimo serão de aldeia!

17
Jan 10

Santo António Apaneleirado...

 
São João e São Pedro ainda não
Anda tudo numa roda-viva
Porque os Gays querem casar
Casar de altar e Padrinhos
Casar abençoados pelos Santos
Houve que escolher a dedo
Qual o Santo mais filósofo
Qual o Santo mais Milagreiro
E logo tocou a sorte
Ao nosso Santo Casamenteiro
Mas Santo é Santo
Nunca olha às diferenças dos nubentes
Para uns há ser apaneleirado
Para outros macho gingão
Para uns há padres gaysados e amaneirados
Para outros padres machões de barba rija
Qual dos casamentos me dará mais gozo
Evidentemente que os da moda gay
Eles com eles
Elas com elas
Vestimentas a rigor
Saia-casaco para eles
Calça-casaco para elas
Os passivos de ar lascivo e submisso
Os activos de ar nobre e machão
Padres e acólitos numa onda viva gay
Simulando danças celestiais
Pelo meio de vozes falsetes
De um coro de meninos gay
Das leituras há que extrair o gaysismo
Do Evangelho segundo Senhor Gay
Há que enaltecer a Família Gay
Um distinto Acólito Gay
Distribuirá a Comunhão
Corpo do Gay
E os Gays o engolem
Amem
São João e São Pedro
Olhando um para o outro
Risinhos de cumplicidade
Voltam-se para aquela Festa Gay
E cantam em coro
Santo António virou Gay
São João e São Pedro ainda não…
 
Marcolino Duarte Osório
- Peregrino -
2010-01-17
publicado por Marcolino Duarte Osorio às 08:26
sinto-me: Espantado...!!!

15
Jan 10

Para quê culpar Deus...

 
Leio aqui ali e acolá
Coisas
Sobre tudo aquilo que mexe
Por exemplo
Este nobilíssimo Planeta Azul
Carregadinho de imponderabilidades
Desde as suas estruturas moleculares
Até aqueles que nele habitam
Também feitos de moléculas
Moléculas contra moléculas
Das infra-estruturas terrestres
Geram energias a mais
Aqui e ali vão-se transformando
Em Vulcões
Em Terramotos
Em Maremotos
Em Tsunamis
Abrem-se brechas onde gente habitava
Caem palhotas vivendas palácios e arranha-céus
Os mares invadem terrenos habitados
Levando tudo à sua frente
Deixando atrás de si apenas destruição e mortes
Clamores de gente confundida e medrosa
Ecoam espaço fora
Teimando culpar um Deus invisível
Por tamanho dó de alma
Dei voltas a minha pobre imaginação
Procurando saber onde o tal Deus havia errado
Apenas uma conclusão tirei
Criou tudo à sua imagem e semelhança
Só que os materiais usados por si
Nos Primórdios do Universo
Eram também a tais Estruturas Moleculares
Agora me pergunto
Será que este Deus
Construtor dos Céus e do Universo
Se deitasse mãos à sua Obra
Em pleno Sec. XXI
Faria as mesmas asneiras...?
 
Marcolino Duarte Osório
- Peregrino -
2010-01-15
publicado por Marcolino Duarte Osorio às 05:28
sinto-me: Amandar bocas...!

14
Jan 10

Comecei este dia...

 
Depois de acordar
Sem qualquer inspiração
Hoje deu-me para aqui
Abri este PC
Olhei de sítio em sítio
Percorrendo sempre os mesmos
Uns foram actualizados
Com notícias disformes
Outros continuavam mortos
Como se dono não tivessem
Fui ao correio
Dezenas de mensagens
Dos sempre os mesmos
Sem nada para me dar a saber
Nem para conversa ter
Enviam-me Pps
Carregados de coisas e loisas
Umas e outras
Sem qualquer interesse para mim
Nem um Olá como Estás
São capazes de me mandar
Isso sim
Nem ligam ao que me aconteceu
E se não lhes reenvio outros Pps
Excluem-me da sua lista de contactos
Não vá ele já ter morrido
É menos um a carregar os endereços
Endereços dos Amigos Cibernautas
Que de Amigos
Alguma vez o seu perfume existiu
Olhei um a um
Os nomes dos meus contactos
Quantos deles convivem comigo
Pessoalmente
Sem ser por bites e bytes
Cheguei a esta conclusão
Depois de aturada busca
Cá de dentro de mim
Uma voz soou
Qual Trompeta de Jericó
Anda tudo em busca de afectos
Quando seus afectos não são correspondidos
Utilizando a Internete
Como quem com graffiti's
Pinta paredes e tectos
Para assim se sentirem realizados
Depois de acordar
Comecei este dia
A queimar os meus neurónios
 
Marcolino Duarte Osório
- Peregrino -
2010-01-14
publicado por Marcolino Duarte Osorio às 08:13
sinto-me: Fixe

12
Jan 10

Parece Impossível, mas é Verdade...

 
Basta de modéstias
Porque este nosso rincão
Ou seja
Portugal Continental
Tem
Além das medidas exactas
Latitude
Longitude
Altitude
Fronteira marítima
Fronteira terrestre
Praias e campos
Até neva na Estrela
As quatro estações do ano
Planícies e montanhas
Rios
Lagos
Albufeiras
Maternidades e Cemitérios
Escolas e Universidades
Alfobre de um Nobel
O tal pai da Angiografia
Porque o outro é autodidacta
Escreve a rodos
Desde a Politica até Deus
O primeiro já morreu
O segundo esse...
Exilou-se em Lanzarote
Com vergonha da Mãe Pátria
Portugal
Também tem Padres e Freiras
Políticos e Sem Abrigo
Médicos e Doentes
Asilos de Loucos
Casas de Repouso da Terceira Idade
Infantários
Prostíbulos
Empregos já os teve...
 
Marcolino Duarte Osório
- Peregrino -
2010-01-12
publicado por Marcolino Duarte Osorio às 17:48
sinto-me: Iluminado
tags:

11
Jan 10

Na minha Diáspora...

 
Só peço a Deus
Que a dor não me seja tão dolorosa
Que a Morte não me encontre
Desprevenido
Solitário
Imaginando-me de missão incumprida
Só peço a Deus
Que a injustiça não me fira de morte
Que jamais me obrigue a dar a outra face
Depois de ter sido magoado brutalmente
Só peço a Deus
Que a guerra psicológica não me destrua
Pois ela é um monstro grande demais
Que pisa cego forte e escarninha
Por todo o ser da minha benquerença
Só peço a Deus
Que a mentira não me atribua o que nunca fui
Se um só mentiroso tem mais poder que minha honra
Que esse usurpador reponha a Verdade sobre mim
Só peço a Deus
Que o Novo Futuro não me assuste dia e noite
Imaginando-me ter que caminhar às cegas e ao engano
Por ter que viver numa cultura diferente da minha raiz
E Deus respondeu-me
De todos os dons que te dei
Escolhe o sentimento de amar a vida
Escolhe o sentimento de amar os seres humanos
Escolhe a tua consciência de aprender tudo de bom e belo
Escolhe aprender com teus erros cometidos
Escolhe a tua capacidade de escolher novos rumos
Escolhe ter acesso e respeitar aquilo que te é indispensável
Pão
Trabalho
Acção
E se achares que algo ainda te está faltando
Vai buscar dentro de ti mesmo a resposta correcta
Na tal Força Infalível da tua Força
Para encontrares e desbravares novos rumos
 
Marcolino Duarte Osório
- Peregrino -
2010-01-11
publicado por Marcolino Duarte Osorio às 10:40
sinto-me: Esperançado, o suficiente...!

10
Jan 10

Lá fora chove...

 
Lá fora chove
Lá fora está de gelar
Não há Sol para me aquecer
Apenas um cobertor para me enrolar
Cobertor humedecido
Pelas lágrimas da minha gélida solidão
Faz-me sentir ainda mais frio
Faz-me recordar com saudade
Naqueles dias gelados
Ambos
Tu e eu
Encostadinhos um ao outro
Segredando-nos poemas de amor
Que nos davam alento e humano calor
Da minha vida já partiste
Por aqui ainda ando
Triste
Vazio
Aguardando pela minha partida
Para a ti me juntar
Entretanto ao bom Deus perguntei
Porquê este meu sofrimento
Depois do Tempo do Tempo teu
Findado se havia
Respondeu-me pacientemente
Só daí partirás
Quando todas as tuas Recordações
Sofrer não te façam sentir
 
Marcolino Duarte Osório
- Peregrino -
2010-01-10
publicado por Marcolino Duarte Osorio às 11:52
sinto-me: Para quê uma Saudade Triste!?

Janeiro 2010
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