13
Dez 10

 

Esta crise do Açúcar...

 

Acordou-me para certas realidades

Aquela parte amarga de todos nós

Escondida quando nada nos falta

Mostrando-se a luz do dia quando há faltas

Os afetos deste Natal desapareceram

Foram substituídos pela má disposição

Porque açúcar aos pacotes faltou

Repentinamente

Nem a Wikileaks vanguardista dos escândalos

Sequer sonhava que o açúcar iria faltar

Os amargos de boca que tem causado

A Portugal inteiro

Ficaram sem açúcar para se retemperarem

Imaginem-me diabético como sou

Sem vontade alguma deste bem açucarado

Entrar aqui ali acolá

Para comprar artigos de higiene caseira

E trazer como complemente dois quilos de açúcar

Não por cabeça

Apenas contando com a minha que vivo sozinho

Mas por local de venda ao público

Entrei num hipermercado

Comprei uma pasta de dentífrica

De lá saí com açúcar não necessário e uma pasta dentífrica

Noutro comprei um par de meias

De lá saí com açúcar não necessário e um par de meias

Ainda noutro e noutros comprei coisas desnecessárias

Só para por cada artigo trazer dois quilos de açúcar extra

Minha casa virou grande açucareiro

Quando açúcar não posso comer apenas o sintético me adoça

Que fazer pergunto eu em face de tanto açúcar angariado

Resolvi estar caladinho sem disto dizer seja a quem for

Mas guardando em lugar fresco e seco tanto açúcar angariado

Oh meu querido e doce Amigo disse-me certa voz ao ouvido

Já te imaginaste nesta crise de falta de afetos

A recolher de dentro de ti mesmo certos afetos escondidos

E colocá-los ao teu bom serviço para que todos a tua volta

Se sintam cada vez mais felizes e confiantes

Mesmo os que foram postos de parte pelos seus familiares

Porque deles já não necessitavam além de lhes darem trabalho

 

Marcolino Duarte Osório

- Peregrino -

2010-12-13

publicado por Marcolino Duarte Osorio às 05:04
sinto-me: de sorriso de orelha a orelha!

11
Dez 10

 

Sou Português...

 

Que ainda não conseguiu ficar maluco

Exmo. Senhor Presidente da Republica

Exijo-lhe que tome mais cuidado

De futuro

Com as torpes chantagens emocionais

Que nos vem fazendo

Dizendo que todos os Portugueses

Deveriam ter vergonha

Por haver pessoas com Fome em Portugal

Um flagelo

Que se tem propagado dolorosamente

Pelos mais desfavorecidos

De forma Envergonhada e Silenciosa

E agora pergunto-lhe ingenuamente

Foram ou não os Governantes desgovernados

Que levaram Portugal a este estado calamitoso

Ou foram os anónimos e respeitáveis Portugueses

Que levaram os Governantes ao descalabro da Fome

Exmo. Senhor Presidente da Republica

Sou um entre dez milhões de Portugueses

Mais desfavorecido que V.Exa.

Que ainda não conseguiu ficar maluco

Que lhe pede encarecidamente

Para não atirar descaradamente a Vergonha

Para cima de nós Governados

 

Marcolino Duarte Osório

- Peregrino -

2010-12-11

publicado por Marcolino Duarte Osorio às 02:51
sinto-me: sem argumentos estáveis...!!!

10
Dez 10

 

 

Minguando...

 

A presença da luz do dia vai minguando

Até que o Inverno tenha lugar

Depois será um crescendo diário de luz

Para que este Inverno se torne mais ameno

Este meu velho corpo bem reclama com o frio

Por maior numero de agasalhos que vista

Saio à rua para andar lesto e divertido

Mal piso o passeio exterior encolho-me

Arrepio-me com o vento frio e intenso

Contraio-me todo até sentir mal estar

Respiro fundo e faço meia volta

Re-entro no meu edifício de dez andares

Se desci comodamente de elevador

Subo tranquilamente os degraus imensos

Que me fazem escutar o estranho ranger

Das minhas velhas articulações com artroses

Chego ao meu patamar arfando cansado

Mas de corpo novamente bem quente

Pedindo descanso em roupas mais cómodas

Uma vez equipado para este merecido descanso

Deixo-me afundar nas fofas almofadas

Inclino a cabeço para trás e deixo-me ir

Para um mundo dos que nascem e crescem sãos

Mas agora estão como os dias do Outono

Minguando...

 

Marcolino Duarte Osório

- Peregrino -

2010-12-10

publicado por Marcolino Duarte Osorio às 06:04
sinto-me: a envelhecer bem feliz...!!!

08
Dez 10

 

Dialogando com as Pedras...

 

Sim é uma aventura fantástica

Perguntar a cada pedra do passeio

Que estórias nos sabem contar

Calcorreando as calçadas empedradas

Vou olhando disfarçadamente

Cada uma das minhas pedras preferidas

Dia a dia a cada uma delas lhes pergunto

Sobre algo de interessante

Uma foi jogada com tanta força

Sobre a cabeça de um homem

Das mãos de um meliante ladrão

Que o matou

Impotente a pedra se quedou por ser pedra

Por não poder falar

Pois se pudesse contar à Policia

Logo logo teriam descoberto tal criminoso

Outras me foram contando matreirices

Dos meninotes daquele bairro

Escondidos atrás das árvores

Jogavam as pedras sobre os vidros dos carros

Riam-se muito depois fugiam para casa

Por ali andava meio mundo em busca dos malandros

Mas como as pedras não podiam falar

Lá ficava mais este crime por desvendar

A tantas quantas eram as prostitutas

Me iam contando em verso os seus dramas diários

Dramas famintos por serem dramas de gente de fome

Dramas de dor por serem dramas de gente sofrida

Em cada uma destas pedras poetisas de boca calada

Existiam manchas de sangue invisível

Muitas

Mas mesmo muitíssimas

Eram dramas ensanguentados lavados pelas lágrimas

Das loucuras das agressões físicas a que foram sujeitas

Pelos chulos proxenetas e clientes ávidos em agredir

Estas pedras dramaticamente impotentes para as proteger

Serviam de leito temporário quando eram jogadas ao chão

Soluçantes

Punhos cerrados batendo nas pedras quedas e mudas

Dedos fincados arranhando as pedras indiferentes à sua suplica

Por serem pedras dramaticamente impotentes para as proteger

Eram mais os dramas do que as alegrias

As alegrias poucas se festejam nas ruas as restantes em casa

Os dramas esses expõem-nos a todos pelas Ruas da Amargura

 

Marcolino Duarte Osório

- Peregrino -

2010-12-08

publicado por Marcolino Duarte Osorio às 09:02
sinto-me: a oerecer-te esta flôr...!

07
Dez 10

 

Falar por falar...

 

Alguém o mote me deu

Ao recordar-me inteligentemente

Que se as pedras desta minha rua

Me falassem

Delas obteria lindas estórias de vida

Sem a elas criticas tecer

A cada uma delas perguntaria

O peso dos passos sentidos

De cada um dos seres

Que nelas haviam pisado

Com maior ou menor peso

Das dores das suas sofridas Almas

 

Marcolino Duarte Osório

- Peregrino -

2010-12-07

publicado por Marcolino Duarte Osorio às 17:43
sinto-me: muito feliz...!!!

 

Pen Pals...

 

Ou melhor dizendo

Os antigos correspondentes

Utilizando papel e caneta

Davamo-nos a conhecer

No mesmo país

Em todos os continentes

Ansiosamente sempre a espera

Da chegada do correio

Onde vinham noticias frescas

Com dias de atraso

Umas vezes nas próprias línguas

Outras em inglês francês e espanhol

O que nos ia dando muita bagagem

Noutras línguas que não na nossa

Sobre outros paises que não o nosso

E suas gentes que não as nossas

Sabíamos muito mas nada sabíamos

Uns dos outros

Sabíamos aquilo que nos escreviam

Conhecíamos o que nos davam a saber

Os tempos evoluíram

Os Pem Pal foram substituídos

Pelos Cibernautas em plena Globalização

Eles aparecem em e-mail's

Eles aparecem em Sites pessoais

Eles Blogam para dizer que existem

Eles formam comunidades Cibernéticas

Mas está tudo como no meu bairro

Sabemos quantos somos pelas estatísticas

Continuamos a não saber nada de cada um

Somos os vizinhos uns dos outros

Com nomes próprios

Mas chamando-nos apenas de vizinhos

Sem sabermos as moradas certas

Nem se lhes doi o coração

Olho certas páginas do Facebook

Vejo-as pejadas de nomes lindos

Muita gente plena de bás-blás

Mas minha gente olhai com muita atenção

Tal-qualmente numa festa social

Onde aparecem cem ou trezentos

Mas somente sabemos sorrir e conversar

Apenas com três ou quatro num cantinho

Discreto longe do bulício.

Pen Pal e Redes Sociais quimeras insondáveis

Que surgirá entretanto de novo

Algo bem mais humanizado...?!

 

Marcolino Duarte Osório

- Peregrino -

2010-12-07

publicado por Marcolino Duarte Osorio às 00:53
sinto-me: de coração pleno...!

06
Dez 10

 

Secretamente...

 

Nunca será tarde

Para se dizer a quem foi amado

Que se não tivesse partido

Ainda hoje amado seria

Porque o amor verdadeiro

Nasce

Cresce

Dá-se

Mas nunca morre

Fica-se sempre à espera

De quem de nós se apartou

Secretamente...

 

Marcolino Duarte Osório

- Peregrino -

2010-12-06

publicado por Marcolino Duarte Osorio às 05:36
sinto-me: muitissimo feliz...!

04
Dez 10

 

Hoje está frio...

 

Bastante frio fora da época

Não vejo flocos de neve

Sinto a Mãe Natureza congelada

O sol não se me mostrou

Permaneceu escondido o dia todo

Lá bem atrás das nuvens baixas

Cinzentas e geladas

Olhei para cima

Nem Céu

Nem Pássaros

Nem Aviões

Nem Sons

Estava tudo bem escondido

Desejei sair para esticar as pernas

Enregelei num ápice

Fiz meia-volta regressei a casa

Liguei a minha máquina Delta Q

Enquanto trocava de roupa

Por outra bem mais prática

Leve e bem quentinha

Luz verde acesa

Cápsula no devido lugar

Chávena preparada para encher

Carreguei no botão

O espesso liquido castanho escuro

Precipitou-se na alva chávena

No topo ficou linda e espessa espuma

Peguei na chávena pela branca asa

Aproximei-me da janela

Com as vidraças meio embaciadas

Sorvi um belo trago deste café

Sorri-me com prazer

E num dos vidros desenhei

Amo muito a Minha Vida!

 

Marcolino Duarte Osório

- Peregrino -

2010-12-04

publicado por Marcolino Duarte Osorio às 23:16
sinto-me: muito feliz...!!!

02
Dez 10

 

Eu agradeço a Deus...

 

Diariamente

Tudo quanto vivencio

No meu dia-a-dia

Agradecer apenas o Bom

Sempre achei ser lugar comum

Agradecer também o Menos Bom

Dá-me Forças para seguir em frente

Sem me sentir sequer alquebrado

Tanto de Corpo

Como de minha Alma

Nos momentos difíceis revoltava-me

Contra Deus

Ele calava-se

E eu ficava a falar a sós comigo mesmo

Um dia

Cansado deste seu silencio

Resolvi mudar de tática

Passei agradecer-lhe a Força que me dá

Para poder ultrapassar situações menos boas

Mesmo que isso incluísse a perca de alguém

Mesmo que isso incluísse a perca de bens

Mesmo que isso incluísse uma amputação

Mesmo que isso incluísse enfrentar o câncer

Mesmo que isso inclua paraplegia

Mesmo que isso inclua o envelhecimento precoce

Foi nessa altura que reparei singelamente

Que Ele assim gostava bem mais de mim

Sem medos

Sem revoltas

Crente de que o Bom e o Menos Bom

Para poderem Coexistir Pacificamente

Ambos terão que ser aceites

Com inteligência

Com humildade

Com uma certa dose de sabedoria

 

Marcolino Duarte Osório

- Peregrino -

2010-12-02

publicado por Marcolino Duarte Osorio às 06:31
sinto-me: decoração pleno de alegria!

01
Dez 10

  

 

Para a Laurinda Alves...

 

Minha doce Amiga Bloguista

Confesso-lhe

Toda a minha admiração por si

Porque toda a Força que tem transmitido

Só pode vir de alguém muito especial

Quiçá a mando de Deus

Que colocou este seu belo exemplo vivo

Diariamente em nossas vidas

Para com todos os seus Afetos

Nos fazer crescer sem fim

Nos fazer ver melhor as nossas vidas

Deixarmos de ser cegamente omissos

Passarmos a ser bons Apóstolos

Transmissores dos dons que Deus nos deu

Praticando-os diariamente não só aqui

Mas também lá fora nas nossas Vidas reais

Não só pelo que de si lemos

Desinibindo-nos a transmitir em viva escrita

Desinibindo-nos a praticar em palavras e atos

Plenos de todos os Afetos nossos

Envoltos no Manto do Amor Fraternal Universal

Em Partilha constante

 

Marcolino Duarte Osório 

- Peregrino -

2010-12-01

publicado por Marcolino Duarte Osorio às 02:32
sinto-me: sinto-me feliz por si...!!!

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